|Mobile Time Latinoamérica| O excesso de competidores em telefonia móvel começa a se tornar um problema na América Latina, especialmente depois da crise da WOM no Chile e na Colômbia e do anúncio da Digicel de fechar sua operação no Panamá. O assunto foi abordado por algumas operadoras durante o evento M360, nesta quarta-feira, 5, na Cidade do México.

“Os reguladores insistem em trazer novas operadoras, o que torna certos mercados insustentáveis. No Panamá, havia quatro teles. Depois, três. E agora a Digicel deixou o mercado e serão apenas duas, porque é insustentável três operadoras em um mercado como o Panamá. É a mesma coisa da WOM no Chile e na Colômbia”, criticou Sebastian Kaplan, vice-presidente de assuntos governamentais de Liberty na América Latina.

O executivo comentou também sobre um país caribenho que tem hoje duas operadoras e o regulador quer chamar uma terceira. Ele não citou o nome do país, mas disse que tem apenas 100 mil habitantes, o que seria muito pouco para suportar a competição de três players. “Precisamos incentivar o compartilhamento de infraestrutura. Não faz sentido ter duas redes servindo o mesmo espaço. Muito menos três”, acrescentou.

Ana Valero, diretora de politicas públicas da Telefonica em Hispanoamérica, fez coro: “se fala em aumentar o número de players para agregar valor, mas isso torna alguns mercados insustentáveis, como vimos no Chile e na Colômbia. Sao casos concretos que atrapalham a capacidade de investimento da industria”.

O presidente e CEO da Telefonica Movistar no México, Camilo Ayo Caro, também citou o problema, mas ressaltou que em seu país acontece o contrário: “Agentes de política pública e reguladores precisam ver essa questão. Em alguns casos há excesso de agentes entrando nos mercados, sem cuidado com a sustentabilidade do negócio. Mas no México um player sozinho concentra 70% do mercado. Nenhum dos dois cenários é bom”.

Brasil

O leilão de 5G aumentou o número de competidores em telefonia móvel no Brasil com as licenças para operadoras regionais. Presente no evento, o presidente da Anatel, Carlos Baigorri, em conversa com Mobile Time, disse não acreditar que o País vá enfrentar um problema de excesso de competição. Ele argumenta que as regras do leilão do 5G não obrigaram ninguém a entrar no mercado, apenas facilitaram. E explicou que a Anatel não trabalha com um número específico de quantidade de competidores a ser perseguido.