O primeiro semestre de 2026 registrou 250 bilhões de tentativas de ciberataques no Brasil, uma queda de 20% nas tentativas de ataques contra 300 bilhões de tentativas do mesmo período um ano antes, aponta estudo divulgado pela Fortinet.
Os dados são baseados em 1 milhão de sensores da companhia que monitoram o tráfego da internet em tempo real.
Alexandre Bonatti, VP de vendas de engenharia da Fortinet, explicou que recuo não é motivo de comemoração, pois está ligada ao uso de soluções mais assertivas e eficientes pelos atacantes. Isso está ligado diretamente ao uso da inteligência artificial para executar ações cirúrgicas, reduzindo o tráfego residual e aumentando o sucesso das invasões.
Esse tipo de aplicação substituiu o trabalho manual e a automação em massa com disparo para milhões de vítimas, o que dá mais aceleração às ações dos criminosos. Contudo, os tipos de golpes continuam os mesmos: phishing, criptomining e DDoS.
O executivo afirmou ainda que há uma evolução nos ataques. Antes eram feitos por humanos contra humanos, depois passou a ser scripts automatizados dos criminosos contra humanos, agora começam a ser ataques de “IAs contra IAs”, algo usado principalmente para empresas de missão crítica e utilities.
Bonatti credita parte do movimento pelo cenário da “corrida pela IA”, com as empresas deixando a cibersegurança em segundo plano, com as áreas de negócios focando apenas em desenvolver aplicações baseadas em IA para gerar rápido retorno sobre o investimento. Isso cria brechas e vulnerabilidades no core de tecnologias das organizações. A outra parte é pelo fato de que IA está escalando as ações dos criminosos na mesma velocidade que as companhias escalam seus usos.
Riscos e tratamento

Frederico Tostes, country manager Brasil e VP sênior Latam e Canadá da Fortinet (divulgação)
Frederico Tostes, VP sênior para América Latina, Canadá e country manager da Fortinet no Brasil, afirmou que, com o avanço da IA e de agentes, as empresas precisam passar a tratar os agentes como “um novo colaborador” que chega em uma companhia e precisa passar por onboarding e treinamento antes de pegar suas credenciais.
Questionado por esta publicação sobre quais são os principais riscos na era da IA, Tostes afirmou que as companhias precisam se preocupar com o output (a saída de dados) para evitar que as corporações compartilhem dados confidenciais. Bonatti complementou e disse que muitas companhias focam apenas no input (inserção de dados para gerar conteúdos), mas negligenciam o output. Outro risco citado pelos executivos foi o Shadow AI, o uso da inteligência artificial e a criação de agentes sem conhecimento da organização por um funcionário.
Fortinet, segurança e a IA
Neste cenário, Bonatti explicou que a Fortinet atua em duas frentes:
- O uso da IA para fazer a triagem dos ataques reais dos falsos positivos, uma vez que uma grande companhia tem em média 10 mil alertas de ataques por dia, sendo 90% deles falsos positivos;
- Criar mecanismos de proteção e governança para grandes modelos de linguagem (LLMs), sejam eles de prateleira ou proprietários. Isso é feito com o uso da FortiAI, uma assistente que trouxe o conceito de ‘traga a sua própria LLM’ (BYOL ou Bring Your Own LLM, no original em inglês) para uso da IA com segurança e guardrails.
Especificamente no Brasil, Tostes afirmou que a Fortinet está com crescimento acelerado em todos os setores. Atualmente com 300 funcionários, a ideia é aumentar o quadro de colaboradores em 20%. Também reforça que trará mais investimentos locais na casa dos milhões de dólares ainda neste ano.
Imagem principal: Alexandre Bonatti, VP de sales engineering na Fortinet (divulgação)

