A Thales e a Datatem anunciaram recentemente uma parceria para oferecer ao mercado brasileiro e latino-americano uma solução de eSIM e eIM baseada no padrão SGP.32, desenvolvida para o provisionamento remoto de conectividade em dispositivos de internet das coisas. A tecnologia permite gerenciar perfis de operadoras à distância, sem a necessidade de substituir fisicamente cartões SIM e, busca simplificar a administração da conectividade em projetos com grandes quantidades de equipamentos.
Na prática, cabe à Thales oferecer a plataforma de eIM e com os eSIMs e a Datatem disponibiliza sua plataforma de orquestração, planos de conectividade flexíveis e atuação comercial no Brasil e na América Latina.
A ferramenta é voltada a empresas que precisam de conectividade IoT como agronegócio, energia, transporte, nos quais sensores e medidores e outros dispositivos conectados podem estar distribuídos por áreas extensas ou em locais de difícil acesso. Nesses casos, a troca de operadoras ou a atualização da conectividade pode exigir o deslocamento de equipes técnicas até os equipamentos.
O sistema é flexível e compatível tanto com dispositivos novos, integrados na linha de produção (eSIM soldados na placa), quanto com equipamentos com cartões removíveis tradicionais (como o padrão 4F com gaveta). A plataforma foi desenvolvida para proporcionar liberdade de escolha e troca de operadoras quando os planos terminarem e for o desejo do cliente, otimizando processos, reduzindo custos operacionais anuais e garantindo maior escalabilidade e segurança para grandes parques de dispositivos conectados. Isso porque um mesmo eSIM é capaz de armazenar perfis de operadoras diferentes.
“Os equipamentos que já estão hoje na rua poderiam se transformar em equipamentos para SGP.32? Sim, porque, mesmo que a gente não tenha ainda ele soldado, através do SIM card removível, ele funciona”, afirma Mattos, diretor de vendas de soluções de conectividade móvel da Thales no Brasil, em conversa com recente com Mobile Time, junto com Evandro Gonçalves, CEO da Datatem.
O orquestrador da Datatem se conecta ao repositório virtual da Thales, atuando como um “cardápio” de conectividade entre as grandes operadoras, Claro, TIM e Vivo, além de MVNOs ou satélites. Ao término do contrato, o cliente pode mudar de operadora remotamente sem trocar o chip, o que força o mercado a negociar melhores tarifas e condições comerciais.
Ganhos com a solução de Thales e Datatem
Gonçalves explica que os custos de uma troca para um medidor do setor elétrico, que pode custar cerca de R$ 600 e levar, em média, sete dias para ser realizada. E, quando o serviço pede intervenção em um poste, o custo pode chegar a R$ 1 mil, de acordo com Gonçalves. Com o provisionamento remoto, a mudança do perfil de conectividade pode ser executada em segundos, desde que o dispositivo esteja conectado à rede e disponível para receber o comando.
“Ele não é instantâneo porque depende de uma comunicação na rede e de o eSIM estar aberto naquele momento, com sinal para fazer a troca. Mas, estando nesse ambiente, é instantâneo, é coisa de segundos e pode ser feito em massa, em lotes, através da nossa plataforma de orquestração que estão juntamente integradas com a plataforma eIM, da Thales”, explica o executivo da Datatem.
Outro ganho potencial está na redução dos gastos com planos de dados durante o período de armazenamento e transporte dos equipamentos. Atualmente, um dispositivo pode permanecer de 60 a 90 dias em estoque ou na cadeia logística antes de ser instalado em campo. No modelo tradicional, se o plano estiver ativo, a empresa paga pela conectividade mesmo sem utilizar o equipamento porque o SIMCard já sai da fábrica ativado, gerando cobrança de mensalidade durante todo esse período parado. O SGP.32 permite embarcar um perfil provisório de fábrica. O plano de dados definitivo só é ativado remotamente um dia antes da instalação no cliente, o que elimina de dois a três meses de cobranças desnecessárias.
“Hoje, eu fabrico um equipamento, ele fica na minha operação logística durante 60, 90 dias até eu implantar em campo. Neste período, por exemplo, existe um custo de mensalidade deste plano que já está ativo hoje no padrão tradicional. Ao passo que a partir do momento que eu tenho o eSIM e eu só vou ativar o plano quando ele vai ser implantado, um dia antes, por exemplo, de ir para campo, eu elimino esse custo de 12 para nove meses na cadeia operacional dos clientes.
Troca de operadora sem substituição do SIM
O padrão SGP.32 permite administrar remotamente os perfis de conectividade armazenados no eSIM. Dessa forma, uma empresa pode mudar de operadora quando um equipamento é enviado para uma região em que a rede originalmente contratada apresenta cobertura insuficiente, por exemplo, ou quando decide contratar outro fornecedor.
“Se eu mando um equipamento para instalar no interior de Goiás, eu só vou descobrir que o sinal é ruim na hora que o equipamento chega lá”, explica Gonçalves. No modelo convencional, o dispositivo poderia chegar ao local com um SIM vinculado a uma operadora cuja cobertura não atende à necessidade daquela instalação.
Com o eSIM, a empresa pode ativar um perfil de outra operadora ou alterar o que já está em uso. A disponibilidade dessa alternativa depende dos perfis contratados e das características do dispositivo. A escolha da rede também pode depender de configurações implementadas no firmware do equipamento, e não exclusivamente do eSIM.
A solução da Datatem funciona como um orquestrador de conectividade. A plataforma reúne os planos disponíveis e se integra à infraestrutura de gerenciamento de perfis da Thales, que permite comandar o download e a ativação de um perfil no dispositivo.
“Eu dou um comando para a plataforma eIM para ela buscar um plano de dados na operadora, trazer para dentro da plataforma e enviar um comando para o SIM lá em campo assumir aquele plano como ativo”, detalha Gonçalves.
Para que isso funcione, é necessário que existam acordos comerciais prévios e perfis disponibilizados pelas operadoras. A mudança remota, portanto, não elimina a relação comercial com os fornecedores de conectividade, mas permite administrar os perfis contratados sem precisar realizar uma nova intervenção física no equipamento a cada alteração.

