| Mobile Time Latinoamérica | O governo da Colômbia, por meio dos ministérios da Defesa e das Tecnologias da Informação e das Comunicações (MinTIC), declarou as telecomunicações um ativo estratégico da nação e anunciou novas medidas para proteger a infraestrutura crítica do país contra ameaças físicas, tecnológicas e digitais.

Como parte dessa estratégia, as duas pastas retomarão a coordenação institucional com a instalação de uma equipe permanente do Ministério da Defesa nas dependências do MinTIC. A iniciativa busca reforçar a proteção das redes de comunicação, melhorar a resposta a incidentes e garantir a continuidade dos serviços.

O anúncio foi feito pela ministra de TIC, Alexandra Falla Zerrate, e pelo ministro da Defesa, general da reserva Jorge Eduardo Mora López. Ambos destacaram a importância de articular as capacidades do Estado diante dos novos desafios de segurança enfrentados pelo setor.

“As telecomunicações da Colômbia são um ativo estratégico da nação e, como tal, o governo vai protegê-las com a mesma determinação com que recuperaremos o território nacional”, afirmou o ministro da Defesa durante o anúncio.

“A queda de antenas de telefonia móvel, redes troncais de fibra óptica, estações rádio-base, cabos submarinos, centros de dados ou estações satelitais pode afetar simultaneamente as transações econômicas, o atendimento a emergências e a capacidade de resposta do Estado”, acrescentou a ministra de TIC.

Por essa razão, a estratégia prevê medidas para proteger as redes tanto contra ataques deliberados quanto contra falhas operacionais que possam interromper a conectividade.

Equipe permanente

A retomada do trabalho conjunto prevê a presença de uma equipe especializada do Ministério da Defesa na sede do MinTIC. O grupo terá mandato definido, responsabilidades individuais e acesso a informações sigilosas, de acordo com as atribuições e os protocolos correspondentes.

A equipe participará de uma instância permanente de trabalho sobre infraestrutura estratégica e contribuirá para coordenar ações de prevenção, atendimento e recuperação diante de incidentes que comprometam as telecomunicações.

A iniciativa retoma um mecanismo de ligação que funcionou durante anos entre os dois ministérios, mas deixou de operar sem que fosse criada uma estrutura substituta. Segundo o ministro da Defesa, essa situação gerou dificuldades de coordenação em assuntos que exigem atuação conjunta.

“Enquanto o crime se tornava digital, o Estado continuava trabalhando sem coordenação”, afirmou Mora López, ao se referir às mudanças nas ameaças e à necessidade de retomar o trabalho conjunto entre os órgãos.

A nova articulação incluirá o ColCERT, equipe de resposta a incidentes de segurança cibernética do setor de TIC, e o Comando Conjunto Cibernético das Forças Militares. O objetivo será reforçar a prevenção, a resposta e a recuperação diante de incidentes de cibersegurança, respeitando as atribuições de cada órgão.

Ameaças digitais entre as prioridades

A estratégia também responde à transformação das ameaças à segurança nacional. De acordo com o ministro da Defesa, grupos narcoterroristas utilizam dispositivos móveis e plataformas digitais para atividades como extorsão e recrutamento de crianças e adolescentes.

“Hoje, os grupos narcoterroristas usam drones, extorquem pelo celular, recrutam crianças por meio de uma tela e atacam a infraestrutura que conecta os territórios”, afirmou o ministro da Defesa.

Diante desse cenário, os ministérios reforçarão os procedimentos de atendimento e os mecanismos de coordenação interinstitucional para responder a crimes cometidos com ferramentas digitais e ampliar a proteção da população.

A agenda busca fazer com que a segurança das telecomunicações não se restrinja à defesa física de antenas e estações, mas abranja também a proteção das redes, dos dados e dos serviços digitais utilizados por empresas, instituições e cidadãos.

Terremoto de agosto expôs vulnerabilidades

A necessidade de reforçar a resiliência das redes também ficou evidente após o terremoto de 10 de agosto. Segundo os números apresentados pela ministra de TIC, nas horas seguintes ao tremor, a indisponibilidade das redes superou 55% em Quindío e 50% em Chocó, e a recuperação levou vários dias.

Falla atribuiu os impactos a fatores como a falta de fornecimento de energia elétrica, a ausência de redundância em alguns pontos da infraestrutura e a necessidade de contar com protocolos de emergência testados.

O episódio mostrou que a continuidade das telecomunicações depende não apenas da prevenção de ataques, mas também da capacidade das redes de suportar situações adversas e restabelecer os serviços quando ocorrem falhas.

Quatro dimensões de segurança

A estratégia está estruturada em quatro dimensões: segurança física, jurídica, tecnológica e digital. Esta última integrará o Plano TIC 2026.

A segurança física abrange a proteção da infraestrutura e a coordenação com as autoridades. A jurídica busca oferecer regras claras e transparentes para quem investe em conectividade. A tecnológica contempla a prevenção de ataques e falhas operacionais, enquanto a digital se concentra na proteção das redes e dos serviços contra ameaças do ambiente digital.

Com essa abordagem, o governo busca reforçar a coordenação entre os órgãos estatais, proteger a infraestrutura crítica e melhorar a continuidade das comunicações em todo o território nacional.

A retomada da equipe de ligação entre o Ministério da Defesa e o MinTIC é uma das medidas anunciadas para avançar nessa agenda, que combina proteção das redes, cibersegurança e capacidade de resposta a emergências.

Foto: MinTIC

 

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