A Serasa Experian contabilizou 368 mil tentativas de fraudes em transações e 1,5 milhão de tentativas de fraudes em aberturas de contas no Brasil durante o primeiro trimestre de 2026, alta de 36,6% em relação ao mesmo período do ano passado. O volume equivale a cerca de uma tentativa a cada cinco segundos e poderia gerar prejuízos de até R$ 1,98 bilhão para consumidores e empresas caso não fosse impedido. Os dados integram o novo Mapa da Fraude, divulgado nesta quinta-feira, 18.
Ao todo, mais da metade da população economicamente ativa no país (51%) já foi vítima de um golpe.
No ano passado, foram criados quatro sites falsos por hora, totalizando 37,85 mil anúncios, perfis, páginas e aplicativos falsos identificados pela Serasa. Ao todo, são nove tentativas de fraude por minuto, sendo 4,7 milhões de ocorrências detectadas ou mais de 13 mil por dia.
E, no primeiro trimestre de 2026, a Serasa detectou 10 mil perfis, páginas e aplicativos falsos identificados usados para enganar os consumidores por engenharia social ou phishing, o que equivale a uma ocorrência a cada 13 minutos e representa um acréscimo de 8,3% em comparação com o primeiro trimestre de 2025.
A Serasa Experian também detectou 2,6 milhões de indivíduos e contas com suspeita de perfil laranja e R$ 2,4 bilhões em prejuízo foram evitados em pagamentos no e-commerce, somando 2,3 milhões de tentativas de fraudes no período.
Os executivos da empresa atribuem três pontos ao aumento: inteligência artificial generativa, deep fakes e a tecnologia permitindo que fraudadores usem imagem e voz de figuras públicas para golpes e fraudes; a modalidade de Fraud as a Service (Fraude como Serviço), em que o fraudador monta um kit para que outros criminosos adquiram seu produto e façam a fraude, escalando como nunca ataques; e a identidade sintética, quando criminosos misturam informações verdadeiras com falsas para criar identidades difíceis de serem diferenciadas de consumidores reais para o que não é.
Fraud as a Service
A modalidade de Fraud as a Service é uma forte tendência global que transformou o cibercrime em um modelo de negócio extremamente rentável e escalável.
O seu funcionamento é estruturado em etapas que visam a multiplicação dos ataques:
– Na primeira, o fraudador identifica brechas na segurança ou desenvolve uma forma de quebrar o sistema de uma determinada empresa.
– Em seguida, em vez de explorar sozinho a vulnerabilidade encontrada, ele “empacota” essa fraude e cria kits ou prepara scripts prontos para a execução do golpe.
– A terceira etapa é a revenda ou a disponibilização destes produtos na dark web, web, comunidades, em redes sociais ou em apps de mensageria para outros criminosos. Cria-se, assim, o modelo de Fraud as a Service.
Na prática, outros fraudadores compram a metodologia pronta para aplicar, o que facilita muito a disseminação dos golpes e faz com que os crimes escalem em proporções antes não imaginadas.
A força dessa modalidade está na comunicação constante entre os criminosos. Não à toa, segundo a Serasa Experian, o ecossistema de fraude registrou uma média de 152 mensagens trocadas por minuto entre os fraudadores para o compartilhamento de modus operandi de golpes. Isso alimentou uma rede de mais de 2 mil grupos de troca de conteúdo, totalizando mais de 19,7 milhões de mensagens associadas a fraudes apenas no primeiro trimestre de 2026.
Fraudes por setor
Em volume de ocorrências, os setores de itens de beleza, de calçados e de saúde lideram as tentativas. O setor de beleza acumulou mais de 33 mil tentativas. Em percentual de representatividade por transação, o topo da lista é composto pelos setores de acessórios de eletrônicos, de aparelhos de telefonia e de eletrônicos. O índice de fraudes em sites de apostas multiplicou por 15.
Sobre a concentração de ações em setores de finanças e produtos de eletrônicos, o executivo Rodrigo Sanchez, diretor de prevenção à fraude da empresa, pontuou: “O fraudador arrisca onde ele entende que ele pode ter maior lucro dentro daquele processo e concentra suas transações”.
Por setor
A região Sudeste obteve 38,5% do montante, e o estado de São Paulo respondeu por 15,8%. Nas operações de comércio, o sistema registrou uma tentativa de fraude a cada 21 segundos. E uma em cada 100 transações de comércio da internet apresentou características de fraude. O bloqueio destas transações reteve R$ 337 milhões e o tíquete médio de cada tentativa atingiu R$ 917. O montante supera em 62% o tíquete de consumidores sem indícios de fraudes.

