A especialista e integrante da assessoria da Anatel Renata Santoyo disse que os desafios da agência vão além da expansão tecnológica. Para ela, a infraestrutura deve entregar conexão de qualidade e segura, para garantir a proteção dos consumidores. Um ponto-chave para isso é garantir que a cooperação internacional e a autonomia nacional caminhem juntas. “Nenhum país consegue construir sua soberania sozinho”, afirmou em workshop realizado no segundo dia do Fórum de Internet no Brasil (FIB16).
Como exemplo disso, citou a sustentabilidade espacial, cujo principal desafio é evitar que satélites de baixa órbita ocupem todo o espaço e espectro disponível, inviabilizando a inserção de concorrentes e afetando a autonomia do país. No setor de data centers, a agência tem como principal preocupação o alto consumo de água, o que tem direcionado seu foco para a elaboração de requisitos e certificações internacionais de segurança, que garantam o uso eficiente do recurso.
Outro ponto citado como desafiador foi a cibersegurança e a proteção de cabos submarinos. Dentro da Anatel, a questão principal é ter um modelo regulatório que garanta diversificação geográfica dos cabos, já que quase todo o fluxo de tráfego internacional – do Brasil para fora – é por essa rede. “A agência, em parceria com a Marinha brasileira, as forças de defesa, prefeituras e outros órgãos públicos, está mapeando a infraestrutura crítica desses cabos e buscando ampliar sua segurança e resiliência”, destacou a especialista. Segundo ela, a ideia é desenvolver um modelo regulatório moderno, que garanta esses dois pontos, mas que também atraia investimentos de longo prazo.


