Pagamentos móveis24/07/2014 às 10h06

App bloqueia, desbloqueia e controla limites de cartões de crédito em tempo real

Fernando Paiva

O smartphone está se transformando em um controle remoto universal, capaz de comandar à distância inúmeros equipamentos eletrônicos e serviços em todas as verticais da economia. No setor financeiro, depois dos apps de mobile banking e de pagamento móvel, chegou a vez de incorporar no celular o controle sobre as configurações de uso de cartões de crédito, de débito e de benefícios. A start-up norte-americana WPK desenvolveu uma solução que permite, através de um aplicativo para Android, iOS e Windows Phone, que o consumidor defina parâmetros de uso para o seu cartão em tempo real, incluindo seu bloqueio e desbloqueio, limite de valor para cada compra, restrição a uma área geográfica a partir de um raio de distância tendo a localização do smartphone como centro, além da restrição de utilização a apenas determinados tipos de estabelecimentos comerciais. No caso do bloqueio, é possível definir um período de liberação ou mesmo o bloqueio automático certo tempo após a compra.

Com escritório montado em São Paulo há um ano, a WPK já fechou contrato com dois processadores de pagamentos e com duas instituições financeiras que atuam no Brasil. O primeiro lançamento da solução no País acontecerá dentro de dois meses, revela Francisco Figueiredo, diretor de operações da WPK na América Latina. A solução é licenciada para processadores ou emissores de cartões, que podem incluí-la dentro dos seus apps de mobile banking ou m-payment. A ideia é que funcione como um diferencial no mercado, sendo oferecida gratuitamente para os consumidores. O retorno vem por meio da economia de custos, especialmente com call center, e redução de fraudes.

No Brasil, mercado onde os cartões são todos chipados, a fraude se concentra mais nas compras remotas, via Internet, pois não requerem senha. Neste caso, o bloqueio do cartão pelo consumidor após cada utilização evitaria esse problema. Entretanto, na opinião de Figueiredo, o maior valor dessa solução no Brasil residiria na conveniência para o consumidor, mais do que no combate à fraude em si.

Para driblar eventuais problemas na rede celular, que poderiam atrapalhar o envio de comandos pelo app, a solução permite que o controle seja feito também por SMS. Para tanto, a WPK fechou acordo com a Spring Mobile no Brasil. Caberá a cada emissor definir quais comandos deseja oferecer por SMS para seus clientes. É importante que sejam simples. O mais óbvio é o bloqueio e desbloqueio.

Vale lembrar que as configurações feitas pelo app ou por SMS têm efeito de imediato, em tempo real. Assim, o portador pode desbloquear o cartão antes de cada compra e bloqueá-lo em seguida, se quiser ter um controle estrito das transações. Na prática, a plataforma da WPK passa a ser a primeira camada a ser consultada a cada transação, antes de prosseguir para a autorizadora do banco. A integração pode levar alguns meses, dependendo da complexidade dos sistemas e do engajamento da área técnica de cada instituição.

Figueiredo sabe que uma solução desse tipo não vai ser adotada da noite para o dia por toda a base de portadores de cartões. É necessário um longo período de educação e divulgação dos benefícios para os consumidores. É mais provável que comece entre usuários de renda mais alta, até mesmo como um diferencial para quem tem cartões black ou platinum. "Dificilmente passaremos de 10% da base de portadores de cartões porque existe um processo de ensinamento do mercado. 2014 é o ano de lançamento e de fechar os primeiros contratos. Gostaria de ter entre 3 a 4 milhões de cartões no ano que vem no Brasil. E alcançar 15 milhões em três anos", projeta.

A solução da WPK não está sozinha nesse mercado. Ela tem como concorrente a Ondot Systems, que acaba de lançar uma solução parecida nos EUA após um período de teste beta com o banco Lone Star, durante o qual as perdas com fraudes foram reduzidas em 30%. Enquanto a Ondot concentra sua atenção no mercado norte-americano, a WPK procura atender a demanda na América Latina e Europa.

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