Imagine um futuro em que os smartphones foram substituídos por óculos ou lentes de contato com inteligência artificial embutida, robôs fazem diversas atividades do dia a dia e até cuidam de pessoas idosas, enquanto crianças brincam em uma realidade mista, que combina o ambiente físico com o virtual. Pode soar como algo distante ou ficção-científica, mas para a NTT Data isso está mais próximo do que a gente imagina.
Em evento anual, realizado em São Paulo, nesta quinta-feira, 4, a empresa trouxe o que acredita que até 2035 se torne realidade em termos de interação. Na apresentação, Elielson Rodrigues, diretor de digital experience da companhia, e Evandro Armelin, diretor de digital technology, destacaram que vivemos na economia da atenção. Com a avalanche de dados a todo o momento, cada vez mais, o foco para atividades diminui e se torna mais caro para as empresas garantir a atenção do público.
“Isso virou um recurso econômico, em que o algoritmo não considera a qualidade da informação, mas sim os segundos de foco do usuário que aquele conteúdo terá”, disse Armelin. O sistema tende a sofrer uma disrupção e caminhar para o conversacional, em que as pessoas vão optar pela interação com as máquinas, algo que já é realidade em algumas esferas.
Na era da multimodalidade e personalização
O uso de texto, voz, vídeo ou imagem para interações com IA já são uma realidade, embora ainda não se aplique a todos os cenários, como na maioria dos contatos entre cliente e empresa. Isso, aos poucos, está evoluindo e deve se sacramentar, segundo os executivos.
Outra forte possibilidade é a consolidação de jornadas hiperpersonalizadas. Ao invés da fixa, em que todos os usuários precisam se submeter ao mesmo processo para conseguirem um produto ou serviço, sites e aplicativos funcionarão de acordo com as preferências do cliente.
Em meio a isso, ainda há a possibilidade da chegada do AI Pin. Muito parecido com um celular, o dispositivo é mais inteligente e autônomo, com inteligência artificial (IA) multimodal embutida, o que possibilita que ele interaja de forma fluida por comando de voz. A tecnologia viabiliza uma ponte entre aplicativos e o mundo. “O AI Pin é uma espécie de modelo de linguagem, só que voltado para ações”, explicou Rodrigues.
Além da tela e dos comandos
O evento da NTT Data também apontou que as interfaces estão evoluindo para ultrapassarem os limites da tela. Hoje, um exemplo disso são os smart glasses e as lentes de contato inteligentes. A tendência é que essa tecnologia possibilite até algo holográfico.
“A interação sai da tela de um dispositivo que você pega, segura e seleciona, passando para o habitat, que passa a ser a interface”, explicou diretor de digital technology. Um exemplo citado por ele é a ida ao supermercado, em que mesmo quando os produtos não estão com o preço etiquetado, por meio dessa tecnologia, é possível visualizar o valor do item.
Algo que também entrou no radar da NTT foi a interação de máquina-para-máquina (M2M) e os agentes autônomos de inteligência artificial. Combinados, eles já são capazes de identificar uma necessidade e tomar uma decisão. Um exemplo desse dueto é o Dash Smart Shell, uma prateleira inteligente que, a partir do peso, alerta sobre a necessidade de reposição, que é feita automaticamente.
Fim dos smartphones?
Para os dois executivos, o celular hoje é um dispositivo de devices. “Ele é um meio que oferece a interface para o usuário interagir com outras funções”, explicou Armelin. Tanto ele quanto Rodrigues acreditam que o aparelho possa ser substituído por smart glasses ou lentes de contato inteligentes. “Nossa aposta seria essa. É possível que com um AI PIN e um smart glass eu não precise mais de um celular”, disse o diretor de digital technology.
Questionados se essas tendências dependeriam de uma rede mais potente, como a 6G, Armelin e Rodrigues acreditam que não. “A conexão com o 5G não é uma limitação, mas temos outras restrições estruturais, como a latência, por exemplo, que é algo muito grave”, observou o diretor de digital technology. Para ele, este cenário favorece o avanço do edge computing (processamento na ponta), que dá autonomia ao sistema, sem depender de conectividade.
Robôs e chips cerebrais
Os robôs para uso doméstico já são uma realidade e estão à venda, como o Neo, da empresa 1X, que faz atividades da casa. A questão é que a tecnologia não é das mais acessíveis, passando dos R$ 100 mil, só que tanto Rodrigues quanto Armelin acreditam que os humanoides ficarão mais em conta.
Uma curiosidade trazida pelo diretor de digital experience da companhia está relacionada ao treinamento. O preparo normalmente é por imitação, mas a tendência é que ele passe a ser substituído pela aprendizagem por reforço, em que a própria IA pontua as ações do robô, para que ele aprenda como executar tarefas.
Outro avanço significativo é o chip neural. Recentemente, a Neuralink implantou um no cérebro de um homem tetraplégico. Com a interface neural, ele começou a controlar outros dispositivos integrados à tecnologia por meio do pensamento. Para a NTT Data, isso pode evoluir e se popularizar a partir de 2035. No entanto, existem questões éticas que ainda precisam ser discutidas, como a privacidade de dados, afinal, ele é capaz de ler intenções e sentimentos.
Foto: Elielson Rodrigues e Evandro Armerlin em evento da NTT Data/Affari Audiovisual

