A plataforma de financiamento coletivo de saúde CrowdCare (Android, iOS) chegou ao mercado na virada de 2025 para 2026. Fundada nos Estados Unidos em maio do ano passado, o sistema da startup é focado em um modelo de coparticipação, ou seja, o consumidor paga um valor fixo mensal para participar do fundo compartilhado e financiar suas despesas médicas.
Em conversa com Mobile Time, o fundador e CEO da empresa nas Américas, Lee Cerasani, explica que a ideia da companhia é permitir que seus consumidores paguem diretamente e sem intermediários pelos serviços médicos a clínicas, hospitais, consultórios e laboratórios. Baseada em modelos de crowdfunding, como GoFundMe (Android, iOS), a criação da CrowdCare veio da própria experiência frustrada do executivo com o tradicional sistema de saúde norte-americano, que é caro e burocrático.
“Quando eu e minha esposa tivemos o nosso primeiro filho, o custo das despesas do parto foi de US$ 8 mil. Paguei do meu bolso esse montante, além dos US$ 1,2 mil que pagava todo mês para o seguro saúde da família. Cancelei o plano, pois era jovem e não precisava”, conta. Os US$ 8 mil do parto foram por ele para o plano, que, por sua vez, pagou o hospital. Quando o executivo teve um segundo filho, assuntou quanto custaria o parto pagando diretamente ao hospital e descobriu que era muito mais barato: US$ 3 mil. “Isso abriu os meus olhos. Entendi que o sistema tradicional com seguradoras de saúde não favorece os hospitais. Foi ali que comecei o processo (de criação da CrowdCare)”, completa Cerasani, ao dizer que observou histórias similares de outros pacientes.
No Brasil, a companhia quer atuar com clientes sem planos de saúde e que dependem do SUS quando ocorre uma emergência, o equivalente a 75% da população nos dados mais recentes da ANS. Trata-se de um cenário diferente dos EUA, que, apesar de ter problemas de preços altos e burocracia, a maioria das pessoas possui seguro saúde pelas empresas que trabalham.
Como funciona
Localmente, a CrowdCare chega com opções de coparticipação a partir de R$ 250 mensais na associação individual para pacientes de 0 a 54 anos de idade, R$ 410 para 54 a 64 anos e R$ 550 para famílias com até quatro pessoas. Ao aderir ao sistema, o usuário paga a mensalidade e aciona a healthtech quando precisar de apoio em gastos (eventos médicos).
A country manager da empresa, Karina Brito, deu alguns exemplos de situações comuns que a plataforma pode ajudar. Caso um assinante do plano de R$ 250 vá ao médico e paga R$ 1 mil, ele pede o reembolso via aplicativo e recebe R$ 750 de volta. O usuário é livre para escolher o local que prefere fazer o seu procedimento médico.
Em casos mais graves, como uma cirurgia que o usuário não tem fundos para pagar, a CrowdCare negocia com o hospital um valor mais baixo e financia para o paciente. E para pacientes com condições pré-existentes, após dois anos de adesão, o usuário tem um teto anual para eventos médicos de R$ 40 mil.
Toda a gestão da assinatura e proteção de dados é feita por meio do app, inclusive o usuário precisa fazer login e o upload das imagens de recibos, descrever o evento médico e se comunicar com a equipe da empresa. Adicionalmente, o consumidor pode fazer consultas de telemedicina por vídeo.
Negócio da CrowdCare
Atualmente, a CrowdCare é sustentada por capital próprio. Para crescer e tornar o negócio sustentável, Cerasani diz que precisam construir uma comunidade com uma boa quantidade de assinantes. A partir do momento que tiverem uma base sustentável, uma das ideias é dar cobertura, de alguma forma, para clientes com mais de 64 anos de idade. Brito explicou que 35% das buscas pela CrowdCare são por pessoas com mais de 64 anos. Hoje, a startup não cobre essa parcela da população para manter as mensalidades baixas.
Imagem principal: Ilustração produzida por Mobile Time com IA.

