Antes do aparelho celular chegar, um dispositivo móvel fez sucesso com notificações e mensagens curtas através de ondas de rádio: o pager. Pequeno e portátil, ele foi uma revolução entre os anos 1970 e 1990, sendo muito usado por executivos, profissionais da saúde e jovens. Mas diferentemente dos modernos smartphones, usar um dispositivo daqueles exigia um pouco mais de esforço.

Quem desejava entrar em contato com outro dispositivo, precisava ligar para uma central de envio, dizer o código do pager para o qual queria enviar a mensagem, podendo na sequência digitar ou ditar o conteúdo dela. Feito isso, havia uma codificação da mensagem e o conteúdo era enviado pelas ondas de rádio. A possibilidade de resposta até existia, desde que o aparelho fosse bidirecional — capaz de enviar e receber mensagens.

A origem do pager não é uma unanimidade. Algumas fontes citam que a sua tecnologia começou a ser usada na polícia de Boston (EUA) em 1928. Outras apontam que o inventor, Alfred Gross, foi o responsável e que registrou o equipamento em 1949. Ele até tentou comercializar o equipamento, pensando na sua aplicabilidade em hospitais, já que nem sempre os médicos estavam perto dos telefones fixos, mas ao apresentá-lo em um congresso de medicina foi debochado. Mas também há quem defenda que quem registrou o pager foi a Motorola em 1959. Aliás, foi ela quem chamou esse aparelho assim. O fato é que a fabricante foi muito importante para a difusão do pager.

Início da febre

Em 1964, a Motorola disponibilizou no mercado o aparelho, ao lançar o Pageboy 1. Um modelo apenas recebia avisos sonoros, que alertavam sobre alguma tentativa de contato. A situação só mudou a partir da década de 1980, quando surgiram os pagers com visores numéricos, o que exigia improviso na hora de se comunicar. Por exemplo, 143 significava “I love you” e 07734, se lido de ponta-cabeça, era um “hello”.

Pager

Pageboy 1, o primeiro pager a ser comercializado. Foto: Wikipedia.

Ainda nos anos de 1980, a realidade mudou com a chegada dos pagers alfanuméricos, como o Motorola Advisor, que ainda contava com tela LCD. Aliás, o período foi muito significativo para o universo do dispositivo, já que ele chegou ao seu auge com o aumento da oferta de serviços.

É neste viés que o pager chega ao Brasil. Por aqui, ter um aparelho desses era ter status, pois o preço não era lá muito convidativo. Quem comprava um ainda tinha que encarar outra parte salgada: a contratação do serviço de cobertura. O cenário mudou a partir de 1990, quando o serviço foi ampliado, o que também aumentou o número de usuários.

Um fim reticente

O sucesso do pager continuou até o início dos anos 2000, quando os celulares começaram a ficar mais baratos, menores e mais leves. Além disso, fazia muito mais sentido ter um aparelho que concentrava ligações e mensagens — além de outras ferramentas —, sem depender de uma central. Embora isso tenha diminuído significativamente o número de usuários do pager, isso não significou o seu fim. Ainda hoje o dispositivo é usado por profissionais da área da saúde — principalmente nos Estados Unidos — e em regiões onde o sinal da rede móvel deixa a desejar.

Mais recentemente, eles voltaram a ganhar repercussão, após o ataque israelense ao grupo Hezbollah, através de explosões em pagers, matando 37 pessoas e ferindo outras 3 mil.

Foto principal: Advisor, pager da Motorola. Hades2k/Flickr

 

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