O Skeelo, plataforma brasileira de ebooks e audiobooks, está se tornando uma empresa global. Presente no México, na Colômbia e na Argentina, a companhia pretende acelerar seu projeto de internacionalização este ano, podendo aumentar a lista para 12 países até dezembro, incluindo alguns na Europa. A expansão internacional será acompanhada de um forte crescimento da receita, com expectativa de superar a marca de R$ 1 bilhão de faturamento anual em 2029, prevê o cofundador e CEO da companhia, Rodrigo Meinberg, em conversa com Mobile Time.
“Em 2025 nossa receita foi de R$ 160 milhões. Em 2026 já temos quase o dobro em contratos fechados na casa. Fatalmente vamos passar de R$ 1 bilhão em 2029”, afirma o executivo.
Em poucos anos, a expectativa é de que a maior parte do negócio do Skeelo esteja no exterior.
“Já tratamos o Skeelo como uma empresa global. Enxergamos o mercado brasileiro como a nossa casa, mas o Brasil deve representar no máximo 10% do nosso público leitor e do faturamento no futuro”, estima o CEO.
Vale destacar também o anúncio recente da empresa de investir R$ 500 milhões ao longo dos próximos cinco anos, boa parte disso em compra de títulos.
Skeelo vai virar “audio first”
A expansão internacional está sendo acompanhada por uma priorização do audiolivro na plataforma da companhia.“O Skeelo está virando ‘audiofirst’”, diz Meinberg. Se no Brasil, até agora, o audiolivro foi um complemento ao ebook no catálogo da companhia, no exterior acontece o contrário, relata.

Rodrigo Meinberg e RaFael Lunes, sócios e executivos do Skeelo (Crédito: divulgação)
Isso vai se refletir no consumo de conteúdo da plataforma. Os 300 milhões de minutos de leitura e escuta registrados no Skeelo no passado vão subir para 2 bilhões este ano e devem chegar a 15 bilhões em 2030, a maior parte vindo de audiolivros escutados por consumidores no exterior.
“O caminho vai ser o audibook. Esse é o formato vencedor. É difícil formar um leitor novo em texto no smartphone. O áudio é algo que está presente na vida das pessoas. E no smartphone você consegue consumir áudio e executar outras atividades”, comenta, destacando que a empresa vem intensificando as conversas com editoras tradicionais para a adaptação de seus catálogos em áudio.
Modelo de negócios
A internacionalização começou há três anos e não foi um processo fácil. Uma das barreiras é que não havia nos outros países um modelo de bundle (pacote de serviços) como no Brasil, em que o Skeelo é oferecido sem custo adicional para o consumidor. Foi necessário um trabalho customizado, país por país, para convencer operadoras móveis, de banda larga e de TV por assinatura do México, da Colômbia e da Argentina a firmarem parcerias.
“Também há incentivos tributários para livros nos outros países, mas são diferentes. A democratização da leitura só é possível com incentivo. Cada país tem a sua legislação e sua regulamentação de telecom. Somos muito customizados país por país”, relata.
Para o consumidor estrangeiro, a proposta é a mesma do Skeelo no Brasil: ele tem direito a adicionar um livro ou audiolivro por mês à sua biblioteca pessoal.
Entre os primeiros parceiros do Skeelo no exterior estão IZZI, Virgin e Directv.
Venda e IPO descartados
A venda do Skeelo não está nos planos de Meinberg, embora admita já ter recebido ofertas. “Vender a empresa nunca foi meu objetivo. Já me abordaram algumas vezes, mas nunca me interessou porque temos um negócio em que a gente acredita de verdade”, argumenta.
A abertura de capital (IPO, na sigla em inglês) tampouco é um desejo dos sócios. “Quando se faz um IPO você passa a ter o mercado como seu sócio e isso limita muito as suas propostas de crescimento. Nosso negócio é bom. IPO é para empresa que precisa de captação rápida ou que o sócio precisa sair da operação. A gente não tem isso”, justifica.
A ilustração no alto foi produzida por Mobile Time com IA


