As empresas da América Latina pretendem elevar os gastos em inteligência artificial nos próximos 12 meses, revelou o CIO Playbook 2026: a corrida pela IA empresarial, levantamento feito pela International Data Corporation (IDC) a pedido da Lenovo. A pesquisa revela que 97% das 500 instituições respondentes desejam elevar o valor investido em aproximadamente 15%. As organizações ouvidas são de Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru, que atuam em sete nichos diferentes.
“As empresas latino-americanas estão em uma fase de transição, avançando para uma adoção mais estratégica da IA, na qual o foco deixa de ser a experimentação e passa a ser a geração de valor tangível”, destacou a Lenovo. A principal prioridade, segundo o documento, é utilizar a tecnologia para aprimorar, inovar e reinventar os negócios, seguida por aumentar a receita e o crescimento de lucros, e diminuir riscos de negócios e ameaças cibernéticas.
Nesse processo de expansão, a abordagem adotada costuma ser IA híbrida – combinação de nuvem, infraestrutura local e computação de borda. Não por acaso, 83% das companhias afirmaram que vão aproveitar o edge computing ou suas instalações locais para garantir segurança dos dados, conformidade regulatória, baixa latência e controle operacional.
Para além do TI
O levantamento constatou que outras áreas de negócio estão começando a expandir o uso de inteligência artificial, como atendimento ao cliente, marketing, vendas e recursos humanos. “O verdadeiro valor não vem mais da experimentação, mas da adoção estruturada da IA em todas as funções essenciais dos negócios, com impacto direto na receita, produtividade e tomada de decisão”, observa a Lenovo.
O retorno sobre o investimento (ROI) vive uma onda otimista nesses projetos, com 90% dos entrevistados afirmando que vão antecipá-lo e que têm a expectativa de que ele seja em média três vezes maior que o total investido. O valor deve ser mais alto nas áreas de atendimento ao cliente, dados e análise, segurança cibernética e tecnologia da informação.
Já quando o assunto é inteligência artificial agêntica, cerca de 50% das companhias já exploram ou estão implementando a inovação, normalmente, em cibersegurança, controle de qualidade, manutenção ou atendimento ao cliente.
Amadurecimento contrastante
O número de organizações implementando IA vem crescendo. Neste ano, 67% das entrevistadas afirmaram que estão com projetos em teste ou em adoção sistemática. Por outro lado, em torno de 20% nortearam suas ações em uma base abrangente de governança e segurança, um índice contraditório diante do fato de que os líderes têm como principais preocupações a segurança de dados, vulnerabilidade dos códigos abertos e a ausência de frameworks de “IA Responsável”.
Diante desse cenário, o estudo enfatiza que ampliar o uso de inteligência artificial nas corporações requer treinamento e capacitação de funcionários, além de uma rigorosa proteção de dados e uma melhor infraestrutura.
Foto: Luciano Ramos, country manager da IDC no Brasil, apresenta a pesquisa feita a pedido da Lenovo. Crédito: Karina Merli/Mobile Time.


