Um estudo da Fiesp revelou que metade das indústrias de São Paulo (52,4%) não utilizam inteligência artificial, mas pretendem usar. Divulgado na sede da federação na capital nesta terça-feira, 7, o documento mostra ainda que 37% usam, ainda que em testes, e outros 11% não usam e não querem adotar a tecnologia.
Feito com 285 indústrias de todos os tamanhos neste ano, a avaliação revelou ainda que, no grupo que usa IA, a principal ferramenta adotada é IA generativa e os grandes modelos de linguagem (60%), seguido por RAG (12%) e visão computacional (10%). Apenas 5,5% afirmam usar agentes de IA.
Das áreas que mais utilizam a IA generativa estão marketing (30%), administrativo (23%), vendas (23%), financeiro (21%) e cibersegurança (18%). As demandas mais urgentes para as indústrias são:
- Aumentar as vendas: 47%;
- Prever a demanda: 32,5%;
- Inteligência de mercado: 28,5%.
De forma geral, 72% dos participantes da pesquisa acreditam que a IA terá impacto relevante; 26% acreditam que impactará algumas áreas; e 1,5%, que não terá impacto.
Para utilizar a IA com mais escalabilidade, 71% dizem que precisam de suporte. Para isso, imaginam que precisarão de consultoria (42%), programas de mão de obra (38%), Senai (37,5%) e mentorias com especialistas (30%). Do lado financeiro, 65% dizem que vão precisar de recursos próprios; 31%, de financiamento do BNDES ou FINEP; 20,7%, de subvenção em inovação; e 16,5%, de bancos comerciais.
As principais preocupação do setor com IA é o vazamento e a segurança das informações, afirmam 56% dos entrevistados. Na sequência aparecem: desinformação (40%); dependência tecnológica (38%); violação de privacidade (30%); viés algorítmico (23%).
Perfil da indústria em IA
O estudo também revela o perfil das indústrias e sua maturidade em IA em quatro cenários:
- 17,5% são os players de vanguarda, indústrias de grande porte e com alta maturidade digital, mas com desafios em ROI, escala;
- 36,5% são os pragmáticos, empresas de médio porte, com maturidade digital média ou alta, e que têm como desafio a justificativa, os dados e a a integração;
- 29,5% são os cautelosos, pequenas e médias com pouca estrutura de dados, em que o desafio é ROI e dinheiro;
- 16,5% são os céticos, pequenas indústrias, baixa maturidade digital, com desconhecimento e insegurança.
De acordo com Renato Corona, superintendente do departamento de competitividade e tecnologia da Fiesp, a pesquisa mostra que existem portes de empresas diferentes em todos os perfis: “Nós precisamos achar essas empresas para escalar programas de IA na indústria paulista e brasileira”, disse, ao explicar que 6% dos entrevistados entre os pequenos são de vanguarda.
Caso de uso
Neste cenário, Corona explicou que a Fiesp tem uma agenda em curso para a adoção de IA na indústria que passa por: lideranças e equipes em IA aplicada; fortalecer e organizar base de dados e gestão; começar pequeno, com impacto rápido; conectar indústrias com o Senai; propor modalidades de financiamento para a IA; atuar como central de informações.
Como uma primeira parte dessa proposta, a Fiesp trouxe exemplos de pequenas, médias, médias grandes e grandes indústrias que já estão adotando a IA e obtendo resultados. É o caso da Continental Parafusos, que integrou 46 planilhas e 5 milhões de células de Excel movidas diariamente com IA, o que diminuiu de 4 horas para 20 minutos o processo de gestão de demanda.
Outro exemplo é o da Vibracoust, que aplicou IA no planejamento de materiais e insumos para o setor automobilístico e ganhou 40% na disponibilidade dos equipamentos ao otimizar as configurações de suas máquinas. Assim como a Kinner Silicone/STC Silicones que reduziu de um dia para poucos minutos a validação de fichas de análise de segurança do produto químico com uso da IA.
Segundo Alexandre Nascimento, membro do MIT Educational Council e mentor dessas empresas em um projeto da Fiesp, o resultado mostra que a indústria começa a montar o seu playbook em IA, de forma que pode pavimentar e escalar o uso da tecnologia: “Principalmente na pequena e média indústria, que é o amortecedor da economia, a última a demitir e a primeira a recontratar”, explicou.
O próximo passo da Fiesp é pegar esses e outros casos e montar uma cartilha para o setor.
Imagem principal: Renato Corona, superintendente da Fiesp (crédito: Ayrton Vignola/Fiesp)

