Francis James Canova Jr. ou Frank Canova não é um nome tão conhecido quanto Steve Jobs, assim como o IBM Simon Personal Communicator raramente é apontado como o primeiro smartphone da história, embora ambos sejam importantes para a tecnologia móvel. O inventor, por exemplo, é responsável por cerca de 60 patentes de eletrônicos e equipamentos sem fio. Já o Simon foi o primeiro a unir diferentes funcionalidades em um único aparelho, como telefone, calendário, agenda, e-mail, touch screen e apps básicos, antes mesmo dos anos 2000.
Nascido em dezembro de 1956, Canova formou-se em engenharia elétrica em 1978, e vem atuando em diferentes áreas da tecnologia, além da telecomunicação. Ele tem em sua bagagem experiências profissionais com IA, sistemas a laser e robótica. Entre seus projetos, desenvolveu laptops, canetas inteligentes e dispositivos de inteligência artificial.
Passagem por gigantes
Após 15 anos de IBM, Canova foi para a Palm, onde desenvolveu os handhelds, uma espécie de computador móvel, como o PalmPilot, Palm III, V e VII. Em 2005, cofundou a Livescribe Inc., onde foi vice-presidente de engenharia até o ano de 2008 e responsável por criar as smartpens. A partir de então, assumiu a vice-presidência de engenharia na Plastic Logic e ficou na empresa até 2010. No ano seguinte, foi vice-presidente da Neato Robotics, onde criou robôs autônomos. Dois anos mais tarde, entrou na Coherent e ficou lá até 2019. O engenheiro também se aventurou em startups, caso da Wheels of Zeus.
Canova é cofundador de diversas empresas, caso da Rithm AI, que desenvolve soluções de IA para o setor de vendas. Ele também gerencia inovação e desenvolvimento web na CanovaLabs, uma iniciativa para pequenas empresas e organizações sem fins lucrativos, criada em 1996.
Mesmo com as diversas contribuições, o engenheiro consegue manter uma vida discreta. Na internet, são poucas as informações sobre a sua carreira e quase nenhuma sobre a sua vida pessoal.
O IBM Simon
Foi na feira de COMDEX, em Las Vegas, no ano de 1992, que a IBM apresentou o primeiro protótipo do aparelho, então chamado de Sweetspot. Na ocasião, ele chamou a atenção de executivos da BellSouth — mais tarde adquirida pela AT&T —, o que deu início a um processo para fazer do aparelho um produto comercial. Para isso, a IBM solicitou apoio da Motorola, que durante o projeto do protótipo forneceu algumas especificações do seu modelo flip e licenciou a tecnologia de sua bateria para a produção do IBM Simon. No entanto, com a negativa da empresa estadunidense, a fabricação foi suportada pela Mitsubishi.

IBM Simon Personal Communicator. Bcos47/Wikimedia Commons
Assim, no ano seguinte, o aparelho foi apresentado na Wireless World Conference, já com o seu conhecido nome, inspirado pelo jogo infantil “Simon Says”, em que o jogador dita regras e os demais devem segui-las apenas se a frase começar com “Simon disse”. A leitura da BellSouth e da própria IBM era de que o nome era também fácil de memorizar.
Apesar do termo smartphone ainda não ter sido criado naquele tempo, um comunicado à imprensa já denominava o celular como um computador. Em agosto de 1994, o IBM Simon começou a ser comercializado em alguns estados dos Estados Unidos, cuja rede AMPS era da BellSouth. O valor do aparelho em média era de US$ 1,1 mil e suas vendas foram baixas. Após dois anos, a IBM teve apenas 50 mil unidades comercializadas.
Foto: Frank Canova (meio) em apresentação na Auburn University. Joe McAdory/Auburn University.


