A Astranis, fabricante de satélites geoestacionários de pequeno porte, chamados de microGEO, espera ter um primeiro cliente na América do Sul em 2028, prevê seu head de vendas para as Américas, Omar Trujillo, em entrevista para Mobile Time. A empresa mantém conversas com operadoras móveis e governos da região, que podem adotar seus satélites para backhaul e em projetos de comunicação soberana.
Os satélites geoestacionários de pequeno porte da Astranis são entre 80% e 90% mais baratos que os tradicionais e ficam prontos em metade do tempo – geralmente em menos de dois anos. Isso dá um ganho de agilidade e viabiliza comercialmente muitos projetos, afirma o executivo.
A Astranis desenha, constrói e se encarrega do lançamento dos satélites – atualmente ela lança com a SpaceX. O cliente compra a capacidade completa do satélite, ficando responsável pela sua operação: pode movê-lo e dividir a sua capacidade como preferir. A empresa é flexível também quanto ao pagamento, que pode ser feito em parcelas ao longo da vida útil do equipamento, em um modelo que chama de “satellite as a service”. Cada satélite tem uma expectativa de oito anos de vida. A próxima geração vai chegar a dez anos.
MicroGEO pelo mundo
Os satélites microGEO trabalham com banda Ka ou Ku. Eles têm um raio de cobertura menor que os geoestacionários tradicionais. Podem cobrir inteiramente países de porte médio, como Colômbia e Peru, ou regiões de países maiores, como a floresta Amazônica brasileira. Para cobrir o Brasil inteiro seriam necessários pelo menos dois satélites.
Hoje a Astranis tem cinco satélites em operação cobrindo partes da América do Norte e da Ásia. Entre seus clientes estão governos e operadoras móveis, como a Saudi Telecom, da Arábia Saudita, e a Chunghwa Telecom, de Taiwan.
Para operadoras móveis, seus satélites servem para backhaul em regiões remotas e para redundância em caso de desastres com rompimento de fibra.
No Brasil, a Astranis pretende participar da licitação do governo federal para contratação do novo Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicação (SGDC), diz Trujillo.
“O microGEO é muito bom para essa tendência de soberania. E nosso modelo flexível em termos financeiros representa uma boa oportunidade para telcos e para governos”, avalia. “Esperar cinco anos ou mais por um satélite pode ser muito tempo para uma operadora ou mesmo para um governo. O tipo de satélite que fazemos nos permite entregar o produto em dois anos ou menos”, conclui.


