O game Cut the Rope foi lançado em outubro de 2010 para dispositivos iOS e é um dos primeiros sucessos da era dos smartphones. Criado pelo estúdio russo ZeptoLab e idealizado pelos irmãos Efim e Semyon Voinov, o jogo de quebra-cabeça exige conhecimentos de física — ainda que apenas empíricos — para alimentar o pequeno monstro verde, Om Nom, com doces.

Om Nom, personagem de Cut the Rope. Tenor/reprodução.
Os mimos podem ser oferecidos imediatamente ou após o jogador conseguir as três estrelas disponíveis em cada fase, cortando as cordas. À medida que avança pelas fases, o jogador encontra novos obstáculos e recursos para levar o doce até o monstrinho. A dinâmica foi inspirada em Parachute Ninja, game também criado pelos irmãos. A proposta era movimentar um personagem utilizando cordas e paraquedas.
O formato conquistou muitos jogadores. Em fevereiro daquele mesmo ano, a versão gratuita de Parachute Ninja já figurava no top 10 do iTunes, enquanto a versão paga estava no top 20. Foi com base nessa mecânica que os irmãos criaram Cut the Rope. Segundo Efim, hoje CEO da ZeptoLab, o processo demandou pouco dinheiro, mas foi trabalhoso.
“A física das cordas não é tão fácil de acertar quanto parece. Decidimos usar nosso próprio motor gráfico em vez de uma tecnologia existente como o Box2D, em parte porque queríamos que a corda tivesse a aparência mais suave possível e em parte porque parecia uma tarefa interessante”, disse em entrevista ao Pocket Gamer.
Para equilibrar a diversão com o desafio, ele e o irmão contaram com o feedback de amigos. Além disso, apostaram em um personagem com características de bebê para despertar a afetividade dos jogadores. “Achamos que a motivação emocional do jogador para completar a fase funcionaria melhor, sem mencionar que o próprio ato de mastigar tem um poder peculiar de emanar fofura”, explicou à Pocket Gamer.
O sucesso e a expansão
Dez dias após ser disponibilizado para o iPhone, o jogo havia vendido 1 milhão de cópias, alcançando o primeiro lugar em diversos países, como Alemanha, Estados Unidos, França, Holanda, Itália e Suécia. Em junho de 2011, a ZeptoLab lançou Cut the Rope para dispositivos Android, que podiam baixá-lo gratuitamente pelo GetJar ou adquirir a versão paga pela App Store.
O movimento fez o game ganhar popularidade. Cinco meses depois, ele somava 60 milhões de downloads em todas as plataformas e versões, com Om Nom garantindo ao menos 24 milhões de guloseimas por dia. Naquele ano, Cut the Rope conquistou diversas premiações, como a de melhor jogo portátil no British Academy of Film and Television Arts (BAFTA), na categoria de jogos eletrônicos, e o Apple Design Award, na categoria iPhone, durante a Worldwide Developers Conference (WWDC).
Diante do sucesso, os irmãos entenderam que o monstro verde poderia sair das telas dos smartphones e se tornar um personagem independente do jogo. Em entrevista ao Pocket Gamer, Efim já indicava que o estúdio planejava esse novo passo. Om Nom tornou-se pelúcia, estampou camisetas e estrelou histórias em quadrinhos, animações e programas de televisão.
A evolução
Com tanta gente encantada pelo jogo, o estúdio resolveu transformá-lo em uma franquia. Entre 2010 e 2023, Cut the Rope ganhou oito versões, entre elas:
- Holiday Gift (2010): especial de Natal;
- Time Travel (2013): viagem no tempo, com o encontro dos antepassados de Om Nom;
- Magic (2015): transformações do monstrinho.
Além disso, o game chegou a outras plataformas, como os consoles da Nintendo, o Apple Arcade e a Netflix Games. Dados de 2026 divulgados pela própria ZeptoLab indicam que a franquia Cut the Rope tem mais de 1,8 bilhão de downloads. A marca também acumula 290 episódios distribuídos em diferentes canais. Neste ano, o estúdio anunciou que lançará Cut the Rope Tower Defense no Roblox, em parceria com a Rocket Fuel Games.
Imagem: tela do Cut the Rope. Moby Games/reprodução.


