A era da TV digital não foi apenas um marco para os telespectadores da TV aberta, mas também para a história dos celulares. Na onda do momento, algumas fabricantes, como LG, Motorola e Samsung, resolveram produzir modelos com a mesma tecnologia das televisões. Apesar de ousado, o movimento fazia sentido, já que a internet móvel nos anos de 2000 era algo ainda caro e de baixa capacidade, com redes 2G e EDGE.
O primeiro aparelho compatível com o sinal da TV digital foi o Sanyo W33SA. Lançado em 2005, no Japão, ele possuía uma tecnologia chamada de 1seg, versão de menor resolução do padrão adotado no país, a Transmissão Digital de Serviços Integrados (ISDB-T, na sigla em inglês). Não por acaso, assistir a programação da TV aberta por um dispositivo móvel não era a mesma coisa que acompanhar pela televisão, já que a imagem perdia qualidade.

Sanyo W33SA. Sug/Wikimedia Commons.
A ISDB-T foi fruto de pesquisas sobre a TV digital terrestre, que começaram nos anos de 1970 e começou a funcionar apenas em 2003. Além disso, o padrão não exigia adaptações, portanto, o sinal que era transmitido para uma televisão, era o mesmo para um dispositivo móvel. O sucesso desta tecnologia começou a transcender para além das fronteiras japonesas, espalhando-se especialmente pela Ásia e chegando à América do Sul. Outras regiões também tiveram esse movimento, mas com a adoção de uma outra tecnologia, como o DVB-H na Europa e ATSC-M/H nos Estados Unidos.
Brasil na TV
No Brasil, a Transmissão Digital de Serviços Integrados começou a ser adotada a partir de 2006. Dois anos depois, o primeiro modelo de celular com TV foi fabricado no país, no caso, um Samsung V820L. Inclusive, ele foi apresentado para o então presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT). O aparelho captava o sinal da TV por uma antena e a sua venda no mercado nacional foi iniciada pela Vivo. Naquele mesmo ano (2008), a Semp Toshiba lançou o CTV41, compatível com o sistema brasileiro.

A apresentação do modelo V820L ao presidente Lula, em Campinas, em 2008. Foto retirada do site da Biblioteca da Presidência.
Em 2010, 400 mil brasileiros possuíam um smartphone com televisão e especialistas acreditavam que, no ano seguinte, o número saltaria para 20 milhões, algo que não se concretizou. O movimento também atraiu a Siano, empresa que foi líder na produção de chips receptores para a TV Digital.
Streaming decretou o fim
Com o crescimento das plataformas de streaming e a otimização das redes móveis (com a expansão do 4G), aos poucos, o propósito de ter a função de TV no smartphone foi enfraquecendo. Um outro fator que influenciou foi a mudança dos modelos, que começaram a ficar mais finos e mais leves, abrindo mão de antenas ou chips específicos para captar o sinal, enquanto câmera e capacidade de processamento começaram a ser priorizados.
Entre as marcas que fabricaram smartphones com a tecnologia, a LG e a Samsung foram as que mais persistiram, sendo alguns dos últimos modelos, o Q61 (da primeira) e o Galaxy A51, da segunda.

Galaxy A51 foi lançado em 2020. Foto: divulgação/Samsung.


