Pode parecer maluco, mas o Shazam já foi um número de telefone. Criado em 1999, ele chegou ao mundo em um período em que os smartphones eram uma realidade bem distante, cerca de três anos depois. Por essa razão, a sua dinâmica de funcionamento era bastante diferente da atual, sendo acionado por uma ligação telefônica. Ao discar 2580, o contato logo era encerrado e o usuário recebia a identificação da música via SMS.

A criação do Shazam partiu dos amigos Chris Barton, Philip Inghelbrecht, Avery Wang e Dhiraj Mukherjee, que se sentiam frustrados ao ouvirem músicas e não saberem qual era. Mas como era possível entregar uma tecnologia deste tamanho ainda nos anos 2000?

A pergunta tem uma resposta: fingerprinting sonoro. Ao invés de analisar a música inteira, o software transformava pequenos trechos de áudio em padrões matemáticos únicos, uma espécie de CPF acústico, para encontrar a sua correspondência. 

Aumento da popularidade

No ano de 2008, o Shazam foi disponibilizado na App Store, sendo um dos primeiros aplicativos não desenvolvidos pela Apple a ser ofertado na loja. Ele também se espalhou por outros sistemas, como o Android, Symbian, BlackBerry, Sony Ericsson e o Windows Mobile. É claro que usar o Shazam naquele tempo exigia um pouco de paciência, já que a conexão era EDGE ou 3G. 

Apesar disso, ele foi – e é – um sucesso. Para se ter ideia, em alguns países, o nome do app virou verbo. Só que ele quis ir além das músicas e, entre 2011 e 2015, o Shazam começou a identificar comerciais de TV, programas, anúncios e campanhas promocionais em segundo plano. O intuito era conectar o usuário a marcas para que ele buscasse conteúdo extra, promoções ou links interativos.

A combinação, no entanto, não ganhou o público. Em 2014, o diretor de produtos do Shazam, Daniel Danker, admitiu isso, destacando que as pessoas preferiam apenas assistir aos seus programas, sem anúncios no app.

Entrada para o mundo da maçã

Em setembro de 2018, a Apple concluiu a aquisição do Shazam, um ano após desembolsar cerca de US$ 400 milhões pelo aplicativo, valor bem abaixo ao estimado em 2015, quando o Shazam valia US$ 1 bilhão. O processo foi motivado pelos problemas que o app enfrentava. Em 2016, por exemplo, o faturamento da empresa foi de US$ 54 milhões, boa parte vinda de anúncios. Tanto que, após a concretização da compra, a Apple comunicou que pretendia livrá-lo das propagandas, algo que se concretizou posteriormente.

Na época, rumores indicavam que a marca da maçã não era a única interessada. Além dela, Spotify e Snap chegaram a conversar com o Shazam. A leitura da Apple era que o aplicativo era muito popular, então com 1 bilhão de downloads e 120 bilhões de usuários ativos, números expressivos para o período, que ressaltavam a fidelidade de quem o baixava. Na nova gestão, todos os cofundadores deixaram a companhia.

Imagem: reprodução/Shazam

 

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