| Mobile Time Latinoamérica | Claro, Movistar e Tigo apresentaram hoje suas primeiras soluções sob o padrão GSMA do Open Gateway. A iniciativa reúne, pela primeira vez, concorrentes do setor móvel na Colômbia para oferecer ferramentas de verificação de identidade que buscam simplificar o desenvolvimento de aplicações mais seguras e reduzir drasticamente a fraude online.

A iniciativa pretende transformar as redes móveis em plataformas abertas por meio da padronização de APIs (interfaces de programação de aplicações), permitindo que desenvolvedores e empresas acessem funções críticas da rede para prevenir crimes como a falsificação de identidade.

Diante do cenário do país, onde os ataques digitais representam uma preocupação crescente, as operadoras priorizaram o lançamento de duas APIs-chave focadas na proteção do usuário:

SIM Swap: Detecta se houve mudanças recentes no cartão SIM associado a um número. Isso é fundamental para impedir ataques de falsificação de identidade em transações bancárias.

Number Verification: Confirma em tempo real que o número de telefone está vinculado ao dispositivo em uso, eliminando a necessidade de etapas adicionais e vulneráveis, como o envio de códigos por SMS.

“Colômbia é um mercado muito grande na América Latina; era o último país entre os grandes mercados que faltava para lançarmos. Particularmente, o tema fraude é importante, entendemos que há interesse por esse tipo de solução, e acredito que as operadoras terão uma série de oportunidades para lançar essas APIs”, afirmou ao Mobile Time Latinoamérica Alejandro Adamowicz, diretor de Tecnologia e Estratégia para a América Latina da GSMA.

Uma aliança sem precedentes

No painel de lançamento estiveram presentes as três operadoras para anunciar uma aliança que busca trabalhar de forma conjunta pelos ecossistemas digitais e padronizar o modelo.

María Luisa Escolar, diretora executiva da Unidade de Mercado Corporativo da Claro Empresas, destacou que essa “simbiose” entre operadoras e o setor fintech permitirá exportar o talento digital colombiano.

“Desde a equipe da América Móvil temos desenvolvido APIs nos países onde atuamos. Na Colômbia, priorizamos duas que fazem muito sentido para o que vemos nos ecossistemas e, sobretudo, que permitem desenvolver novos tipos de aplicações nas quais o usuário final tenha menos atrito”, afirmou.

Por sua vez, Danghelly Rodríguez, diretora de Marketing B2B da Telefónica Movistar Colômbia, ressaltou que a iniciativa “democratiza a inteligência da rede”. Rodríguez destacou que, com essas APIs, serão gerados novos casos de uso e será possível monetizar os dados de maneira estruturada e padronizada. “É importante porque democratiza a inteligência da rede.”

Já Paulo Alejandro Franco, diretor de Gestão de Produto B2B da Tigo Business, enfatizou que a prioridade absoluta é devolver a confiança ao usuário final após a explosão digital pós-pandemia. “Na Tigo Business colocamos capacidades de rede nas mãos de empresas e desenvolvedores para simplificar integrações e fortalecer seus processos de verificação e prevenção a fraudes, acelerando a economia digital com uma base cada vez mais robusta”, afirmou.

Padronização e democratização

Embora as três operadoras já viessem trabalhando individualmente no desenvolvimento de APIs, a ideia de aderir à iniciativa Open Gateway da GSMA é padronizar o modelo de acordo com as demandas do mercado.

No caso da Telefónica, a operadora já monetizava cerca de 30 milhões de transações por ano. No entanto, Danghelly Rodríguez ressaltou que, sem a aliança, a integração com as redes se torna mais complexa. “Por isso aderimos a essa padronização, porque o importante é que já conhecemos o mercado, já sabemos que há uma necessidade.”

Ela também destacou que não haverá nenhuma mudança para as empresas que já utilizam essas APIs, exceto no caso do Bre-B, em que pode ser necessário acelerar caso haja aumento no volume de dados e nos níveis de confiança.

Sobre a saída da Telefónica do mercado colombiano e sua fusão com a Tigo, Rodríguez afirma que não haverá impacto no que vem sendo desenvolvido. “Este é um lançamento comercial que não sai desse caso de uso. Pelo contrário, com a padronização, não há impacto, porque não muda se você estiver com a operadora A ou B”, afirmou ao Mobile Time Latinoamérica.

Colômbia no mapa regional

A Colômbia se torna, assim, o oitavo país da América Latina a adotar esse padrão global, cobrindo já mais de 95% dos acessos móveis da região sob esse protocolo unificado.

As APIs lançadas hoje no mercado colombiano estão disponíveis no repositório CAMARA, um projeto de código aberto liderado pela GSMA e pela Linux Foundation. No entanto, espera-se que, no processo de evolução do modelo, elas possam ser distribuídas por meio de um marketplace aberto.

Alejandro Adamowicz, da GSMA, ressaltou que a expectativa é continuar avançando com essa iniciativa em outros países da região, como Uruguai, Bolívia e países da América Central.

 

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