A Privalia (Android, iOS) tem atualmente 90% das vendas e do seu tráfego concentrados no mobile. A informação foi compartilhada por Valmir Andrade, CPO da companhia, em entrevista para o Mobile Time durante o evento Privalia Day.

Ao todo, o marketplace e outlet de marcas tem 20 milhões de usuários cadastrados e 1 milhão deles são ativos — fizeram pelo menos uma compra no último ano. O seu público é majoritariamente feminino (74%).

O executivo explicou que o aplicativo é usado principalmente para descoberta (treasure hunting), como um shopping virtual, com as pessoas passando pelas marcas como lojas para encontrar produtos de moda, beleza, acessórios, decoração e esportes.

A maioria dessas compras é focada em desejo, descoberta e impulso, uma vez que o modelo de negócios é baseado em dois formatos:

  • Flash sale: o escoamento de coleções passadas com 10 marcas por semana em ofertas-relâmpago;
  • Brandplace: o marketplace de coleções atuais que conta com mais de 300 marcas e 200 mil produtos.

Com isso, a Privalia tem hoje:

  • Tíquete médio de R$ 300;
  • Consumidor médio fazendo entre quatro e cinco compras por ano;
  • 10% dos usuários acessando dia sim, dia não;
  • Clientes premium — assinantes que acessam as campanhas do Flash Sale uma noite antes dos lançamentos para o público geral — comprando em média 12 vezes por ano;
  • Tempo médio de acesso de 13 minutos.

“Temos um tráfego orgânico forte. Nós trazemos e retemos o consumidor por meio do nosso modelo de negócios. É muito parecido com social selling, em um tempo de navegação similar a uma rede social”, disse Andrade. “Para moda, um dos grandes desafios sempre foi apresentar um produto para o consumidor. Mas nós sabemos vender e expor moda, sempre com respeito às marcas. Tudo isso gerou relação de confiança com as marcas e com os consumidores”, completou.

Entre os parceiros estão Aramis, Nike, Calvin Klein, e marcas menores nacionais, mas de qualidade ímpar, como Luz da Lua.

Agora, a Privalia quer usar essa base construída para criar o seu programa de afiliados.

MyPriv, da Privalia

Prestes a ser lançado neste mês de outubro, o programa de afiliados MyPriv é a aposta do marketplace para avançar no social selling. O CPO afirmou que isso é muito mais do que cravar uma bandeira no social commerce, mas complementar à jornada do consumidor, que não é linear.

A ideia do MyPriv é permitir que clientes da Privalia criem suas lojas online com URL própria e com isso influenciem suas microrredes (amigos, seguidores e familiares) a comprarem produtos de seu catálogo e de suas marcas parceiras em moda feminina, masculina, infantil, calçados e beleza.

“Isso vai muito ao encontro da influência da pessoa em sua rede de contatos. Quem vai montar uma loja já tem uma visão de um grupo e uma comunidade, uma microrrede”, disse o executivo, ao explicar que desejam alcançar várias delas com seus catálogos. “O afiliado pode trabalhar diferentes estilos. A curadoria depende do talento de cada pessoa”, completou.

O afiliado escolherá os produtos que serão incluídos em sua loja, entre 200 mil itens de 300 marcas. Depois, basta divulgar o link de sua loja  via WhatsApp e plataformas de vídeos.

Andrade explicou que é um programa para gerar conversas e negócios, com risco zero para o consumidor. Tudo isso na palma da mão do afiliado com toda tratativa feita pela Privalia.

A comissão para os afiliados é inicialmente de 5%. A Privalia assume os custos de plataforma, comissionamento, entrega, pós-venda e reembolso, sem repassar os custos para as marcas e nem para os afiliados. Ou seja, a principal vantagem é que a pessoa não precisa investir nada, nem na compra de produtos e muito menos na gestão operacional. Em contrapartida, os vendedores associados não podem alterar preços, fotos ou descrições dos produtos.

“Criamos uma oportunidade, quase uma franquia digital que é multimarca. Com entrega, garantia e pós-venda controlados pela Privalia”, explicou.

Próximos passos

Nascendo dentro da unidade de geração de receita (revenue) da Privalia, a expectativa é que o MyPriv chegue a 10% das vendas do Brandplace — que hoje corresponde a 15% do faturamento total da companhia. Contudo, o CPO acredita que o programa de afiliados pode se tornar uma unidade de negócios dedicada em revenue, ao lado de Flash Sale, Brandplace e da unidade de publicidade Privalia Ads.

Com o piloto da nova plataforma começando no próximo sábado, 10 de outubro, a prioridade inicial é testar a plataforma e gerar tração aproveitando a demanda do último trimestre do ano com Dia das Crianças, Black Friday, Natal e Ano Novo. A partir daí, Andrade e seu time pretendem validar a conversão e escalar a operação ao longo de 2027.

A Privalia ainda tem um cronograma que prevê o uso de inteligência artificial para afiliados gerarem vídeos e materiais promocionais de forma simples e automatizada. Assim como as marcas poderão impulsionar produtos oferecendo comissões turbinadas para os afiliados.

 

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As ilustrações das matérias são produzidas por Mobile Time com IA