O Brasil precisa de uma política de Estado para desenvolver o mercado de data centers, defenderam os presidentes das associações NEO, Rodrigo Schuch, e Brasscom, Affonso Nina, durante painel na AGC26, nesta quarta-feira, 6, em São Paulo. O Redata seria apenas parte da solução. Na opinião dos executivos, é preciso também reduzir o ICMS e oferecer condições de financiamento da modernização de pontos de presença de Internet para virarem data centers de pequeno porte.

“O Brasil é o terceiro país em conectividade no mundo, atrás de China e EUA. Em mobile, somos o quinto em quantidade de acessos. Mas em data centers somos o 12º. Há um mar de oportunidades”,  disse Schuch. “É preciso construir uma politica de Estado que seja à prova de governo. O Fust é um exemplo real: começou com o governo FHC e foi implementado na gestão do presidente Lula”, complementou.

O presidente da Neo sugere que o país aposte na descentralização de data centers, aproveitando a infraestrutura dos provedores de Internet para construir unidades de pequeno porte que façam processamento de dados na borda, o chamado edge computing.

Um levantamento feito pela Neo aponta que dos 100 mil pontos de presença (PoPs) de Internet do Brasil, 4.280 estariam aptos a serem modernizados para virarem pequenos data centers, com área entre 25 m2 e 100 m2. Ele estima que seria necessário um investimento da ordem de R$ 2,14 bilhões nessa modernização, o que poderia ser apoiado pelo governo com linhas de financiamento do BNDES ou de outros órgãos de fomento.

“É barato quando comparado com o investimento necessário para hyperscalers”, comentou.

Data centers e ICMS

Por sua vez, o presidente da Brasscom destacou o déficit na balança comercial brasileira em serviços de tecnologia da informação e telecomunicações (TIC), cuja culpa estaria, em parte, na alta carga tributária. Hoje, a maior parte dos dados consumidos pelo Brasil são processados no exterior, gerando um déficit da ordem de US$ 8 bilhões por ano na balança comercial. E esse déficit está crescendo: era de US$ 3 bilhões em 2021.

“O Brasil tem espaço, infra de conectividade, energia limpa e renovável, mas esbarramos em carga tributaria que faz com que data centers aqui sejam 30% mais caros que em outros países”, argumentou.

Enquanto a carga tributária para um data center no Brasil está entre 30% e 35%, em outros países que concorrem conosco fica entre 5% e 10%, acrescentou.

Segundo Nina, 1/3 desta carga tributária são tributos federais, o que vai ser reduzido com o Redata. Porém, é preciso atacar os outros 2/3, que são o ICMS, um imposto estadual. Os secretários de fazenda dos estados estão discutindo essa possibilidade no âmbito do Confaz, disse o presidente da Brasscom. “Aí seremos competitivos a passaremos a atrair investimentos  para todos os tipos de data centers”, concluiu.

Foto no topo: Painel sobre políticas públicas para data centers durante a AGC26, com Affonso Nina e Rodrigo Schuch ao centro (crédito: Fernando Paiva/Mobile Time)

 

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