O presidente do Google no Brasil, Fabio Coelho, descartou um investimento financeiro da companhia em startups na região da América Latina. Embora veja com bons olhos o momento dos unicórnios na América Latina e a relevância do Brasil neste segmento, o executivo acredita que o papel de sua companhia é fomentar esse ecossistema, porém sem capital.

“(Nosso papel) é só de apoio. O Google quer ser um facilitador do ecossistema de inovação”, disse Coelho, durante o Google for Brasil na última quinta-feira, 6, em São Paulo. “É bacana ver o Brasil manter 74% dos investimentos de venture capital na América Latina. Isso se remete em negócios para o Google. Por isso, nós queremos trazer mais empresas para o ambiente digital crescer”.

O presidente da companhia ressaltou que este movimento colabora com o ecossistema digital e com a companhia, uma vez que mais empresas tradicionais e pequenas começam a ter seu espaço – em publicidade – na web através da plataforma do Google. Coelho ainda frisou que o fato do Brasil ter o ecossistema digital mais avançado da América Latina o coloca em papel de destaque, ante outros países da região.

Sobre as startups do Brasil, André Barrence, diretor do Google Startups no Brasil, acredita que o momento das startups é de maturidade. Olhando pela perspectiva do hub Google Campus São Paulo, que completa três anos no próximo mês de julho, o profissional explicou que alguns fatores mostram essa melhora. Ele cita a qualicação das startups, a melhora na criação de times, a penetração de smartphones no mercado e a retenção do capital de venture capital.

Contudo, Barrence ainda vê desafios para o mercado de inovação no Brasil. Há desafios em regulação com um marco regulatório específico para startups, de mentalidade dos trabalhadores e conexão dos negócios entre as startups. Fabio Coelho, do Google, citou a falta de mão de obra qualificada no País, um segmento que precisará de 420 mil profissionais até 2024.

Fomento

Neste cenário, a empresa buscará apoiar com iniciativas como o Google Startups for Exchange, um programa do Google for Startups voltado para novas entrantes que estão fora de São Paulo. Iniciado neste ano, o programa foi para 13 regiões brasileiras conversar com 648 startups. De acordo com o diretor do Google for Startups, essas relações são voltadas às necessidades das novas empresas em cada região, como processos de contratação, uso de ferramentas do Google e criação de produtos.

Outros dois programas de destaque que o Google apresentou para melhorar o ecossistema são:

– Um Certificado de Profissional de Suporte de TI para treinar alunos por oito meses para trabalhar em nível básico de TI e levará seus currículos direto para grandes empresas como Magalu e Rappi;

– Oferta de bolsas complementares em TI para 2 mil pessoas no valor total de R$ 4,5 milhões;

– Desafio Game the Change que incentiva jovens mulheres (15 a 21 anos) na produção de jogos para Android. As duas melhores ideias serão premiadas e terão seus jogos publicados no Google Play. Outras 500 receberão um curso online sobre programação de 140 horas.