A IDC estima que a implementação de inteligência artificial em software, serviços e infraestrutura por empresas chegará a US$ 3,4 bilhões em 2026 no Brasil, um crescimento acima de 30% se comparado US$ 2,6 bilhões com o ano anterior. De acordo com Luciano Ramos, country manager da empresa de análise de mercado no país, o movimento acontece pelos agentes de IA se posicionarem como a próxima evolução do software.

Durante a conferência online IDC Predictions 2026 nesta terça-feira, 10, o executivo afirmou que o B2B já considera o uso de IA em seus planos de digitalização e modernização de aplicações, e, em especial, os agentes que despontam como vetores de transformação.

Citando uma pesquisa global da IDC feita com 1 mil executivos em novembro de 2025, o country manager revela que um terço dos orçamentos das empresas deve ser direcionado para investimentos de IA com foco em exploração e implementação de agentes.

Para o mercado de tecnologia, Ramos avalia que o aporte das companhias em IA significa diferenciar suas ofertas. Ao mesmo tempo, os profissionais de TI devem estar em sintonia para definir controles e recursos de observabilidade, de modo a garantir segurança e confiabilidade dos agentes.

Estrutura para IA

Para que este cenário com inteligência artificial e agentes aconteça, Pietro Delai, diretor de enterprise da IDC na América Latina, afirmou que o setor de data centers terá uma forte demanda em 2026. Na prática isso significa que o mercado brasileiro de hospedagem e serviços de dados (hosting & infraestructure services ou HIS) chegará a US$ 1,7 bilhão em 2026, um incremento de 18% contra US$ 1,4 bilhão de um ano antes.

Delai disse que entre as 20 categorias observadas pela IDC, data centers é o que terá maior crescimento neste ano, apesar de um cenário que tem tarifaço imposto pelo MDIC aos produtos importados para o setor, a alta carga tributária, a necessidade do Redata ser aprovado no Congresso Nacional e a necessidade de investimento em distribuição de energia.

O diretor de enterprise também lembra que não há consenso entre os executivos sobre como usam data centers para atender suas cargas de IA (on-premise, on-colocation, on-hosting e/ou on-cloud). Com isso, as empresas devem caminhar mais para um movimento de ambientes híbridos, como em um momento na nuvem e outro localmente. Isso é evidenciado por uma pesquisa recente da IDC com líderes empresariais da América Latina que aponta que 60% usarão ambientes híbridos até 2030 para otimizar  IA.

Neste universo de infraestrutura, a empresa de análise de mercado explica que a nuvem será o elemento central na evolução da IA e isso já reflete nos negócios. Em 2026, o mercado de infraestrutura em nuvem (IaaS) chegará a US$ 4,4 bilhões, uma alta de 18,5% contra US$ 3,7 bilhão de 2025.

Ramos revela ainda que 38% dos gastos de IA no país serão direcionados para IaaS neste ano, o que resultará no envolvimento mais próximo das áreas de negócios com os provedores de nuvem e profissionais de TI, e vice-versa.

O country manager prevê ainda que o fato de a IA precisar de mais robustez em segurança demandará mais investimento para detectar ameaças sofisticadas e em tempo real, uma vez que 68% dos executivos em uma pesquisa da IDC no Brasil dizem que a segurança é preponderante para sustentar o crescimento do negócio.

Como resultado, o total de gastos com serviços de segurança serão de US$ 2,5 bilhões contra US$ 2,1 bilhões, um incremento de 15% ano a ano. Dessa soma, US$ 575 milhões serão destinados para ampliar processos e funcionalidade de segurança habilitadas por IA, inclusive os agentes de IA.

Dispositivos e memórias

Delai falou também da crise global com a falta de memórias (RAM, SSD, MVNe, por exemplo) para abastecer o mercado.  Em sua visão, o problema só será resolvido com a fabricação de chips de 2 nanômetros e aumento da capacidade de players como a ASML.

Reinaldo Sakis, diretor de device na IDC América Latina, afirmou que o reequilíbrio do setor de memórias deve acontecer de forma gradual no segundo semestre de 2026 e ser normalizado apenas em 2027. Enquanto isso, os fabricantes sofrem com pressão sobre custos e margens, algo que atinge também os dispositivos para o consumidor final, como handsets, tablets e notebooks. Com isso, nós poderemos ver em 2026:

  • Um cenário mais complexo no planejamento da demanda e gestão de estoques;
  • Favorecimento de players globais que têm capacidade de gerir com maior escala e atuação internacional;
  • Aumento da distância competitiva entre empresas globais e locais.

Como resultado, as fabricantes devem diminuir a oferta de dispositivos de entrada e focarão em produtos mais custosos, além de aumentarem os valores dos equipamentos entre 20% e 10% de imediato, e que podem ultrapassar 50% ao longo de 2026. Mesmo com este cenário de alta de preços, os dispositivos devem registrar queda em receita no Brasil entre US$ 1,3 bilhão (visão positiva) e US$ 2,6 bilhões (visão negativa) este ano.

Em contrapartida, Sakis espera que o mercado B2B aumente o consumo em dispositivos com inteligência artificial e suas proteções embarcadas, uma vez que seus profissionais têm a necessidade de mais produtividade e segurança. Com este cenário, 75% do total das vendas de dispositivos em 2026 terá IA embarcada, um aumento de 15% ante 2026. Por sua vez, os aparelhos sem IA devem cair 33% em comercializações.

Destacam-se na expectativa os smartphones com IA. Os handsets devem gerar US$ 12,5 bilhões em vendas no Brasil, 88% do mercado. Já os notebooks com IA devem gerar US$ 2,9 bilhões, 57% deste mercado.

Imagem principal: Ilustração produzida por Mobile Time com IA.

 

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As ilustrações das matérias são produzidas por Mobile Time com IA