|Mobile Time Latinoamérica| A Agência Nacional do Espectro (ANE) da Colômbia publicou uma série de documentos técnicos e regulatórios que buscam habilitar o uso do espectro radioelétrico para a implantação de redes celulares privativas (RCPs) de banda larga no país, uma iniciativa voltada para acelerar a transformação digital dos setores produtivos do país.
A proposta contempla o uso de faixas de frequência como 410 MHz, 900 MHz, 3,5 GHz e 26 GHz para implementar redes privativas móveis e fixas de acesso, com aplicações focadas em automação industrial, Internet das Coisas (IoT), processamento de dados e digitalização de processos empresariais.
Segundo a entidade, esse processo faz parte da Agenda Regulatória 2026-2027 e responde à necessidade identificada desde o Plano Mestre de Gestão do Espectro 2020-2024 de contar com mais espectro para suportar o crescimento de aplicações digitais e a massificação de tecnologias IoT na Colômbia.
Nos últimos anos, a ANE realizou estudos técnicos e análises de impacto regulatório para avaliar as barreiras regulatórias e técnicas que limitavam a adoção de soluções sem fio avançadas no país. Como resultado, concluiu que existe a necessidade de habilitar espectro específico para redes privativas.
Faixas propostas para RCPs
Dentro da proposta técnica, a ANE sugere diferentes configurações de acordo com as características de cada faixa.
Para a faixa de 410 MHz, a entidade propõe habilitar dois blocos de 5 MHz sob configuração FDD, voltados para cenários em que se requer maior cobertura. Em 900 MHz, a proposta contempla dois blocos de 18 MHz para redes privadas de acesso.
Na faixa de 3,5 GHz, considerada estratégica para o desenvolvimento do 5G e de serviços de alta capacidade, propõe-se a disponibilidade de 80 MHz para redes privadas sob configuração TDD, permitindo autorizações tanto de baixa cobertura quanto de cobertura padrão.
A proposta também inclui a faixa de 26 GHz, associada a cenários de ultrabaixa latência e alta capacidade, fundamentais para aplicações industriais avançadas.
Condições técnicas e coexistência
A ANE informou que os estudos realizados avaliaram a convivência dessas novas redes com sistemas já existentes, como serviços satelitais, enlaces fixos de rádio, sistemas aeronáuticos e redes móveis tradicionais.
Entre as medidas analisadas estão sincronização de redes, faixas de guarda, limites de emissões fora de faixa e separações geográficas para evitar interferências.
Além disso, a entidade propõe definir parâmetros técnicos para estações rádio-base e terminais, incluindo limites de potência, altura efetiva das antenas, inclinação mínima e configurações de cobertura.
Insumo para futuros processos de atribuição
A publicação desses documentos busca abrir uma discussão com a indústria, operadoras, empresas e demais atores interessados antes de avançar para um modelo de atribuição de espectro para RCPs.
A ANE afirmou que o projeto servirá como insumo técnico para que o Ministério TIC defina futuras condições de atribuição de espectro voltadas para apoiar a modernização e digitalização dos setores produtivos na Colômbia.
Os documentos publicados incluem tanto a proposta técnica de redes móveis de acesso para setores produtivos quanto uma minuta de modificação da Resolução 105 de 2020 expedida pela ANE.


