A Associação Nacional de Detrans (AND) apresentou nesta semana a Rede Nacional de Dados de Detrans (Redetran), um sistema que consiste na troca de dados de condutores e frotas de veículos entre os Detrans. Em resposta ao Mobile Time nesta quinta-feira, 12, o presidente da AND, Givaldo Vieira, disse que essa plataforma terá apenas tráfego de dados em consultas entre os Detrans.
Ou seja, os dados continuarão sob a tutela dos Detrans, assim como os departamentos de trânsito estaduais também serão responsáveis pelo tráfego. A Redetrans ainda seguirá as regras da LGPD. Atualmente, os Detrans têm dados de 123 milhões de veículos, porém, os dados são fragmentados.
A promessa dessa rede é a possibilidade de acesso às informações em uma interface única, segura e atualizada.
Mais sistemas de Detrans
Além da consulta, a AND também apresentou:
- O Sistema Integrado de Vistorias de Detrans (SIVED), um sistema nacional que integra nacionalmente as vistorias veiculares interestaduais;
- A Torre AND, uma plataforma com dados consolidados sobre veículos e motoristas.
Vieira explicou que SIVED apenas transmite os laudos gerados em cada Detran. Neste caso, as informações inseridas no sistema são apenas informações do condutor e do proprietário do veículo.
Por sua vez, a Torre AND funciona como uma camada de dados consolidados e públicos do sistema de trânsito e de outras bases públicas, vide IBGE. Esses dados serão cruzados para ajudar os gestores das 27 unidades dos Detrans no Brasil a tomarem decisões.
Parafuso inteligente
Uma outra novidade apresentada é o Dispositivo de Segurança de Emplacamento (DSE) ou ‘parafuso inteligente’. Este é um dispositivo inteligente que funciona como lacre digital e que pode ser usado em fiscalização eletrônica por aproximação ou automaticamente. Inclusive, o dispositivo é compatível com o free flow e sistemas de estacionamento e armazena dados criptografados do veículo.
A ideia do parafuso inteligente é trazer uma camada de proteção e corrigir uma falha que veio com as placas do padrão Mercosul, que não possuem o lacre físico e deu margem para fraudes, como cópia irregulares de QR code e clonagem de placas, um crime que atinge em média 5 mil vítimas por mês em São Paulo, segundo o Detran-SP.
O DSE já foi testado em Magé/RJ, Leopoldina/MG e Serra/ES. O próximo passo é a sua integração ao Ambiente Integração e Interoperabilidade (AI2), uma plataforma integrada ao MCTI de desenvolvimento de soluções tecnológicas lançada em dezembro de 2023.
Também contará com acompanhamento do Inmetro e do Senatran para garantir que seguirá o padrão do Mercosul. O presidente da AND explicou que o parafuso inteligente ainda passará por tratativas específicas com os Detrans e Senatran para definir o modelo de adoção.
Imagem principal: Presidente da AND, Givaldo Vieira, durante a ANDTech nesta semana (divulgação)

