O governo estadual de Pernambuco será um dos primeiros do Brasil a contar com uma rede privada 4G para a transmissão de dados. Esse é um dos pontos previstos no projeto Pernambuco Conectado II, cuja licitação foi vencida por um consórcio formado por Embratel, Primesys e a empresa pernambucana Smart Networks. O objetivo da rede privada é atender a agentes de segurança pública de Pernambuco, mas também poderá ser usada por outras áreas, como a de saúde, a critério do governo estadual.

A rede privada no padrão LTE vai operar nas faixas de 1,8 GHz e 2,5 GHz, usando o espectro que foi adquirido ela Smart Networks nos leilões de sobras da Anatel. A empresa controla ao todo 20 MHz, somando as duas faixas.

É o governo pernambucano quem vai indicar as áreas a serem cobertas. A expectativa é de que sejam priorizadas inicialmente três cidades: Recife, Olinda e Paulista. A Smart Networks prevê a instalação de 15 ERBs para atender essas cidades. Possivelmente serão aproveitadas torres da Claro, empresa controlada pelo mesmo grupo da Embratel.

É comum forças de segurança estaduais e federais utilizarem redes privadas em espectros dedicados exclusivamente para essa finalidade. Contudo, em geral, são adotadas tecnologias proprietárias. Construindo-se uma rede LTE privada é possível combinar a vantagem de uso exclusivo de uma faixa de frequência com o benefício de uma tecnologia com escala global, o que barateia a instalação e a manutenção da rede, assim como a compra dos dispositivos, que podem ser quaisquer smartphones disponíveis no mercado. O projeto Pernambuco Conectado II prevê a entrega de 4 mil chips para operar nessa rede 4G privada. Este será o primeiro projeto de rede LTE privada montado pela Embratel.

“Uma rede LTE privativa é mais adequada à demanda do governo, pois garante uma disponibilidade maior do serviço, mesmo durante o Carnaval ou o São João”, comenta Maria Teresa Lima, diretora executiva para governo da Embratel.

“O Carnaval pernambucano é multicultural, aberto e público. No bloco Galo da Madrugada, que arrasta 2 milhões de pessoas, se acontecer algum problema e o profissional de segurança ou de saúde precisar prestar socorro, a rede pública cai, por causa da grande quantidade de gente usando smartphones. É necessária uma rede privada para a comunicação dos agentes públicos”, explica Ricardo Leite, sócio-diretor da Smart Networks.

Meio bilhão de Reais

O projeto Pernambuco Conectado II prevê também a prestação de uma série de outros serviços de telecomunicações pelo consórcio vencedor, dentre os quais: 25 mil linhas celulares; 15 mil aparelhos celulares; serviços de telemetria em 20 mil linhas; 12,5 mil pontos de acesso Wi-Fi em ambientes fechados; 2.950 pontos de acesso Wi-Fi em ambientes externos para uso do público; comunicação unificada em 15 mil pontos; 29.263 ramais de telefonia fixa; infraestrutura de contact center; monitoramento de 80 mil itens tecnológicos; e segurança de rede.

O contrato do governo pernambucano com o consórcio vencedor é de R$ 472,85 milhões pelo projeto como um todo, cuja duração é de 48 meses, podendo ser prorrogada para até 60 meses. A Embratel estima que precisará investir R$ 180 milhões para atender tudo o que está previsto no edital.

Fórum de Operadoras Alternativas

A construção de redes LTE privadas será um dos temas abordados na segunda edição do Fórum de Operadoras Alternativas, seminário organizado em conjunto por Mobile Time e Teletime e que acontecerá no dia 2 de abril de 2019, no WTC, em São Paulo. Mais informações estão disponíveis no site www.operadorasalternativas.com.br, ou pelo telefone 11-3138-4619, ou pelo email eventos@mobiletime.com.br.