O número de ataques com velocidade de 1 Tbps cresceu 1.286% em 2026 em relação ao ano passado, segundo levantamento da NETSCOUT sobre ataques distribuídos de negação de serviço (Distributed Denial of Service — DDoS), nos quais o infrator tenta deixar um site, servidor ou rede indisponível.
De acordo com a pesquisa, foram registrados 9,1 milhões de ataques do gênero entre janeiro e junho de 2026, em 209 países e territórios. No comparativo anual, o número é 25% maior que o registrado no primeiro semestre de 2025. Só na América Latina, foram registrados mais de 1,1 milhão de ataques no primeiro semestre.
Além da velocidade, a duração e a comercialização de ataques também cresceram neste ano. A proporção de ataques com duração de um minuto ou menos passou de 1,6% para 3,1%.
O estudo apontou que plataformas comerciais — oferecem assinaturas para diferentes tipos de ataques, sem exigir conhecimento técnico dos clientes — facilitaram invasões de sobrecarga de equipamentos, como firewalls e balanceadores de carga, além de ataques que enviam um grande volume de pacotes ou requisições por segundo para saturar a banda de internet.
A maior parte dos ataques DDoS foi realizada por meio do método de caminho direto (direct-path), no qual o cibercriminoso envia tráfego malicioso diretamente da origem ao alvo, sem utilizar servidores intermediários. A modalidade representou 64% dos ataques registrados no período. Já os ataques por reflexão e amplificação, nos quais o invasor oculta sua identidade da vítima e multiplica o volume de tráfego enviado ao alvo, corresponderam a mais de 35% do total.
Para realizar os ataques, os criminosos têm utilizado redes de proxies residenciais, que mascaram o tráfego malicioso com endereços IP e conexões domésticas legítimas, dificultando a distinção entre usuários reais e invasores. No relatório, a NETSCOUT observa que, diante desse cenário, mecanismos de defesa tradicionais, como o Flowspec e o Blackhole Routing, já não conseguem acompanhar ataques de larga escala ou podem provocar bloqueios indevidos.
A empresa conclui sua análise recomendando mudanças nas estratégias de proteção. Uma das medidas sugeridas é a adoção de uma defesa em camadas, com mecanismos de proteção no local em que as empresas oferecem seus serviços, para proteger equipamentos como firewalls e balanceadores de carga. Além disso, os serviços de mitigação devem ser disponibilizados em nuvem.
A NETSCOUT também recomenda que as operadoras implementem mecanismos de mitigação do tráfego de saída, incluindo a identificação e a remediação de botnets, o combate ao uso abusivo de proxies residenciais e a identificação de refletores abertos, com validação dos endereços de origem, além de processos ativos de resposta a abusos.
Nos casos de uso indevido de proxies residenciais em ataques, a sugestão é que as empresas realizem análises comportamentais. Por fim, a companhia destaca a necessidade de as operadoras se prepararem para ataques simultâneos e sobrepostos, picos diários de tráfego e janelas de manutenção, sem comprometer a disponibilidade dos serviços.
No Brasil
Quase metade dos ataques disparados nos países latino-americanos, mais precisamente 487,42 mil ataques DDoS, aconteceram no Brasil. Trata-se de um incremento de 3,6%, comparando com o segundo semestre de 2025. A duração média desses ataques foi de 59,31 minutos. Para a NETSCOUT, o volume coloca o país no centro do mapa regional de ameaças cibernéticas, refletindo tanto a dimensão de sua infraestrutura digital quanto a atratividade do mercado para grupos de ataque.
As empresas de telecomunicações sem fio (exceto satélites) foram os principais alvos no Brasil, com 141,40 mil ataques. Em seguida, estão os provedores de infraestrutura de computação e serviços de hospedagem na web, com 50,50 mil incidentes e, na terceira posição, as operadoras de telecom com fio, que registraram 27,97 mil ataques.
Confira os outros segmentos que estão na lista dos dez mais atingidos no primeiro semestre deste ano:
4. Outras empresas de telecomunicações – 5,66 mil ataques
5. Bancos comerciais – 4,24 mil ataques
6. Restaurantes de serviço completo – 3,21 mil ataques
7. Serviços de consultoria em distribuição física e logística – 2,58 mil ataques
8. Varejistas de brinquedos e passatempos – 2,29 mil ataques
9. Comércio atacadista de equipamentos para escritório – 2,12 mil ataques
10. Transporte rodoviário local de cargas – 1,86 mil ataques
Colaborou: Isabel Butcher


