A SUL – inteligência para impacto se posiciona entre um negócio social e uma startup de impacto voltada para o Sul Global. Seu objetivo central é utilizar a inteligência artificial generativa para escalar soluções socioambientais em organizações não-governamentais, terceiro setor, órgãos públicos ligados ao segmento, mas também setores ESG e de Responsabilidade Social das empresas, para evitar que fiquem defasados. Com atuação no Brasil e em Angola, a empresa busca integrar a tecnologia digital ao impacto humano, promovendo transparência e eficiência.

Por meio de consultoria ou a partir de suas soluções, as organizações são estimuladas a explorarem como a IA pode fortalecer processos de coleta de dados, indicadores, análises, aprendizagem e tomada de decisão.

A empresa adota uma metodologia participativa e democrática, priorizando o letramento digital e a construção de soluções que respeitem a diversidade.

SUL IA

Pedro Barros é CPO da SUL – Inteligência para Impacto. Crédito: divulgação

“A gente é um negócio social no estrito termo de ser aquela instituição com fins lucrativos, mas que, como propósito, vemos o lucro sempre a partir do impacto. Ou seja, o lucro não é o seu objetivo final. Não fazemos só pelo estrito senso de impacto socioambiental positivo, mas desde que estejamos construindo soluções que permitam escalar este impacto”, resume Pedro Barros, cofundador e CPO da SUL – Inteligência para Impacto em conversa recente com Mobile Time.

A SUL tem pouco mais de um ano, mas neste tempo foi se transformando. O marco zero foi oferecer o letramento em IA. “As pessoas precisavam saber como usar a IA. Logo depois, percebemos que o letramento por si só não bastava. A gente precisava olhar quem quer causar impacto de uma forma holística: desde um diagnóstico de prontidão de uso de IA até os próprios letramentos customizados e otimização de processos e desenho de política interna de uso de IA”, enumera Mirella Domenich, cofundadora e CEO da SUL.

A SUL foi além da consultoria para oferecer suas próprias soluções de inteligência artificial generativa, sempre com a intenção solucionar dores já conhecidas pela dupla, de promover desenvolvimento, porém de forma participativa e com preços que sejam mais adequados para o terceiro setor. “Temos mais de 20 anos de atuação do outro lado do balcão e sabemos os desafios financeiros dessas instituições”, comenta Domenich.

Sula, Cérebro e Mariah, os produtos da SUL

Assim, nasceram a Sula, o Cérebro e a Mariah. Enquanto a primeira ajuda organizações a desenvolver, monitorar e avaliar projetos de impacto e a organizar dados, a segunda é uma plataforma para análise de dados e decisões estratégicas e a terceira auxilia nano e micro empreendedores.

Sula

A Sula é uma IA desenhada especificamente para o terceiro setor. Seu objetivo é contribuir para a produção, o monitoramento e a avaliação de projetos sociais, além de organizar dados não estruturados gerados por essas organizações. O sistema permite que o usuário interaja de forma conversacional para organizar dados que não estão estruturados no dia a dia dessas organizações. Para sustentar o desenvolvimento desses e de outros projetos, a SUL iniciou um processo de expansão da equipe, internalizando o quadro de desenvolvedores de software.

Em um projeto realizado com a Fonseca Projetos, consultoria especializada em estratégias de impacto social, a Sula ajudou a instituição a montar um planejamento estratégico estruturado em um mês, algo que até então não conseguiam fazer em menos de um ano de trabalho.

Para viabilizar a entrega, a SUL conduziu um processo participativo assistido por inteligência artificial, que foi finalizado com um encontro presencial. A assistência da máquina otimizou a análise de dados e a geração de insights que a equipe não havia mapeado anteriormente. O resultado técnico foi a redução de um ciclo de planejamento que, sem o uso da tecnologia e sem referências anteriores da instituição, poderia demandar até um ano de trabalho, sendo concluído em um mês.

SUL IA

Mirella Domenich é CEO da SUL – Inteligência para Impacto. Crédito: divulgação

Já com a ONG Luta pela Paz, que possui cerca de 100 colaboradores, a SUL conduziu o letramento tecnológico utilizando metodologias “desplugadas” (sem o uso de telas), permitindo que profissionais de diferentes áreas operacionais debatessem e compreendessem a tecnologia

“Primeiro fizemos o diagnóstico e depois desenhamos a jornada de letramento. O último encontro fizemos presencial e estavam 83 pessoas de uma ONG com 100 colaboradores”, comenta a CEO. “Foi muito bacana, usamos a metodologia desplugada para trabalhar a inteligência artificial sem o uso de tela. Isso proporcionou que as pessoas se sentissem à vontade. É uma organização que, no dia a dia do seu trabalho, nem todos usam a tela. E isso permitiu que a auxiliar de serviços gerais se sentisse apta a discutir IA junto com a direção. E, com isso, vimos que os medos são semelhantes”, conta Domenich.

Cérebro

Criado a partir de uma jornada de inteligência artificial para impacto, o Cérebro de IA foi desenvolvido com a ajuda de 70 participantes que se encontraram ao longo de sete meses. São pessoas da sociedade civil, da academia, do governo, de negócios de impacto, da filantropia, que discutiram quais as barreiras e alavancas para o setor de impacto começar a usar IA. Essas pessoas auxiliaram na curadoria de conteúdos que alimentam o Cérebro.

A proposta é que a ferramenta funcione como um sistema de gestão do conhecimento interno para as organizações do terceiro setor. Como as ONGs costumam produzir muitos conteúdos que acabam ficando dispersos e reservados a determinados setores, a inteligência artificial é utilizada para organizar e centralizar esses dados. Essa tecnologia garante que o histórico e os processos da instituição não se percam devido à rotatividade de funcionários, permitindo que qualquer colaborador consulte o que já foi feito no passado e extraia insights para novos projetos.

Um dos recursos técnicos utilizados pela startup é a arquitetura RAG (Retrieval-Augmented Generation) combinada com embeddings. Essa tecnologia restringe a busca do modelo de IA a uma base de dados específica e curada pela instituição, o que mitiga o risco de alucinações da máquina e preserva o contexto da interação do usuário com o sistema.

A partir dessa lógica técnica, a empresa constrói “cérebros de IA” para a gestão de conhecimento interno de ONGs, garantindo que o histórico e os dados das instituições sejam preservados e facilmente consultados.

Mariah

Ainda em desenvolvimento, e à espera de financiamento, a Mariah é um app e uma ferramenta integrada ao WhatsApp, que auxilia nano e micro empreendedoras de regiões periféricas na gestão de seus negócios. Esta solução é fruto de um projeto que une a UFRJ e algumas organizações de impacto que trabalharam com este público durante a pandemia.

“Essas pessoas estão ficando para trás porque a IA vem de forma veloz. E essas IAs de mercado, tipo ChatGPT, Gemini, não entendem as dores dessas pessoas. A Mariah vem para ajudar os nanos e microempreendedores a usarem inteligência artificial de forma otimizada, ajudando no dia a dia. Desde precificação de produtos e serviços até produzir posts para redes sociais. Com poucos cliques, conversando por voz ou texto com a Mariah, é possível ter esse tipo de resposta”, explica Domenich.

A proposta é que Mariah seja licenciada e distribuída por empresas, governos, sistema S e ONGs. A ferramenta foi acelerada pelo ImpactHub Rio, vencedora do Rio AI Hackathon Lovable e foi vencedora da pré-aceleração Impacta Rio, do Sebrae.

Estrutura

Em termos de arquitetura e infraestrutura tecnológica, as soluções da SUL rodam em nuvem da AWS e operam com Gemini, do Google.

 

*********************************

Receba gratuitamente a newsletter do Mobile Time e fique bem informado sobre tecnologia móvel e negócios. Cadastre-se aqui!

Siga o canal do Mobile Time no WhatsApp!

As ilustrações das matérias são produzidas por Mobile Time com IA