Um projeto desenvolvido por universitários de Guarulhos/SP almeja que os dados de suas estações metereológicas contribuam para que políticas públicas voltadas ao clima ajudem moradores de bairros periféricos da cidade. Chamada de Cidade Motriz, a hoje futura startup, começou sua história a partir de um edital da prefeitura guarulhense, em parceria com a Bloomberg, que selecionaria iniciativas voltadas à sustentabilidade e à resiliência urbana. No momento, o seu aplicativo está em desenvolvimento.

Ao tomarem ciência, Edigar Martins, Felipe Prata, Leonardo Celestino, Luiz Henrique Macedo e Victor Augusto Santos Rodrigues, então todos estudantes do Centro Universitário de Excelência em Guarulhos (Eniac), resolveram fazer de uma pesquisa da instituição uma realidade, com pequenas adaptações. O estudo mostrou que estações meteorológicas de baixo custo (R$ 200) são capazes de captar dados precisos, sem perderem sinal, superando tecnologias mais caras. 

Outro apontamento foi em relação à distância desses equipamentos. Em Guarulhos, as estações ficam distantes das periferias, que sofrem com os efeitos das “ilhas de calor”. Para se ter ideia, no bairro de Taboão – onde uma delas foi instalada –, a variação chegou a ser de 4ºC. “Todas as estações que a Defesa Civil possui ficam em bairros centrais. As duas mais periféricas ficam localizadas em shoppings, um local que não traz a real dimensão do clima”, diz Prata.

Além da unidade de Taboão, o Cidade Motriz conta com outras duas estações, o Jardim Vermelhão também conta com a sua – ambas nas suas respectivas associações de moradores – e, para comparação, há outra na Secretaria do Verde, que é uma região mais arborizada. 

Impacto ambiental e social

A estrutura das estações tem baixo impacto ambiental. Ela é feita em PLA, material biodegradável majoritariamente composto por amido de planta, através de uma impressora 3D.

A partir de cada uma delas, moradores e prefeitura começaram a acompanhar as condições climáticas dos bairros por meio do site criado pelos jovens, que possui versão mobile. O grupo também se comprometeu a realizar reuniões trimestrais com os moradores para falar mais sobre essas informações, trazer um diagnóstico climático, além de abordar temas como conscientização ambiental e desinformação.

Próximos passos da Cidade Motriz

Apesar do fim do edital, parte do grupo continua atualizando seu site oficial e, agora, Celestino, Prata e Martins pretendem fazer dele uma startup e ampliar sua área de atuação para fora de Guarulhos. Para isso, buscarão novos financiamentos em editais e hackathons. Diante do fato de que os usuários sempre chamam o Cidade Motriz de aplicativo, os jovens não viram outra alternativa que não fosse desenvolver um. “Eles querem interagir com o projeto dessa forma. Então, estamos considerando seus hábitos de uso do site para deixá-lo compatível ao nosso público”, explica Celestino.

Outras mudanças previstas são em relação à estrutura. O grupo pretende usar um novo tipo de material, o PETG, um filamento originado por garrafas PET, além de unificar o abrigo meteorológico e o pluviômetro em uma única peça, até para facilitar a instalação. A estrutura deverá  incluir medidores de ruído e sensores de vento. 

Prata também não descarta a possibilidade de treinamentos em escolas. “Como o projeto é feito em impressão 3D e muitas escolas públicas possuem o equipamento mas não têm ninguém para manusear, vemos isso como uma possibilidade para ensinar e mostrar a importância das estações meteorológicas”, explica.

 

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