O governo federal confirmou que a plataforma de streaming Tela Brasil, que será totalmente gratuita, estará disponível para o público nas lojas de aplicativo ao longo deste primeiro trimestre. A informação veio em comunicado do Ministério da Cultura (MinC), contrariando informações de que já seria possível acessá-la. Apesar disso, em rápida busca na internet, é possível encontrar um link do Google Play com o título do aplicativo, mas que dá erro ao acessar.

Tela Brasil

No Google, ao pesquisar “Tela Brasil”, o usuário encontra o link para acessar o aplicativo no Google Play.

Segundo o MinC, os usuários poderão acessar o catálogo não só pelo sistema Android, mas também iOS e pelos navegadores, através do Gov.br (Android, iOS). Em ajustes finais, o app terá mais de 500 obras nacionais disponíveis, de curtas a séries, vindas de instituições parceiras e do próprio ministério, além de produções indicadas ao Oscar. O projeto teve um investimento inicial de R$ 4,4 milhões.

Na avaliação de Vera Zaverucha, especialista em audiovisual e ex-diretora da Ancine, o montante deveria fomentar o setor privado e não competir com ele. “O Estado tem que apoiar a iniciativa privada e ela, por sua vez, fazer uma plataforma de streaming. A Tela Brasil é como criar salas de cinemas públicas para disputar com as já existentes”, opina. Ela acredita que, ao invés de licenciar filmes comerciais — caso dos indicados ao Oscar —, faria mais sentido o MinC disponibilizar o acervo que tem, como as obras do Centro Técnico Audiovisual (CTAv) e das coleções do Humberto Mauro.

Já Pedro Butcher, crítico de cinema e professor da ESPM do Rio de Janeiro, avalia que a plataforma é importante para suprir a falta de regulação do streaming no Brasil. “As plataformas estrangeiras, como Netflix e Amazon, operam no Brasil sem contribuir para o desenvolvimento da nossa indústria cinematográfica”, aponta. Ele explica que no país não é exigida uma cota ou um valor mínimo de exibições de obras audiovisuais brasileiras e independentes.

“É muito importante que a Tela Brasil seja bem divulgada e que tenha títulos atraentes também, é uma questão de acesso à cultura”, diz Butcher, relatando que nas salas de aula a maioria dos alunos tiveram pouco contato com as obras nacionais.

Tela Brasil: acesso ao acervo nacional

A Tela Brasil é um projeto criado pela Secretaria de Audiovisual (SAV) com a Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e faz parte da campanha de valorização do cinema nacional, criada em 2024. No final daquele ano, o MinC criou o Conselho Consultivo do Centro Técnico Audiovisual (CTAV) para desenvolver a Política de Acervo. A ideia era assegurar não só maior transparência, mas maior acesso ao audiovisual brasileiro.

O Brasil não precisou ir muito longe para se inspirar. Na Argentina, por exemplo, há uma mesma iniciativa, chamada de CINE.AR PLAY, que assim como a Tela Brasil está disponível como aplicativo e plataforma.

Na divulgação da plataforma, a pasta destacou que os públicos-alvo são escolas de educação básica — em resposta à Lei 13.006/2014, que prevê exibições do cinema nacional nas redes de ensino —, cineclubes, pontos de cultura, bibliotecas públicas, entre outros.

“Há muito já se vinha discutindo a possibilidade de ter uma plataforma pública. Em parte, porque a maioria é financiada pelo próprio Estado, além disso, não é um dinheiro perdido, porque o Fundo Setorial do Audiovisual prevê um retorno”, explica Butcher.

Para atrair o audiovisual brasileiro, na época, foi publicado um edital de licenciamento cujo valor total era de R$ 3,8 milhões, a serem distribuídos conforme as categorias das obras audiovisuais — curta-metragem (R$ 5 mil), média-metragem e telefilme (R$ 10 mil), e longa-metragem (R$ 20 mil) — , valores considerados baixos por Zaverucha, já que a licença é de 48 meses.

Ilustração produzida por Mobile Time com IA.

 

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