Os sócio fundadores da Kovi, Adhemar Neto (esq,) e João Costa (dir.)

A startup de aluguel de carros para motoristas de apps Kovi (Android) chegou a 6 mil motoristas neste mês de fevereiro. De acordo com o sócio-fundador, João Costa, a companhia tem o objetivo de chegar a 25 mil motoristas cadastrados e ativos até o final de 2020, sendo 20 mil no Brasil e 5 mil no México. Com atuação em São Paulo, Porto Alegre e Cidade do México, a empresa busca expandir suas operações neste ano, como explicou Costa: “Estamos alugando em São Paulo e Porto Alegre, mas vamos lançar em outras cidades ainda em 2020. Serão mais quatro grandes capitais brasileiras. E estamos na região metropolitana da Cidade do México desde dezembro com 100 carros. A resposta foi rápida e cresce no mercado mexicano. Imaginamos expandir fácil lá, pois não tem muita locadora (duas) e a locação de carros é mais de pessoa física para pessoa física”.

Atualmente, no Brasil, a Kovi tem 7 mil condutores na fila de espera para alugar carros. O executivo da startup explica que não consegue atender a demanda dos seus usuários, pois as montadoras demoram de dois a três meses para entregar uma frota.

Sem revelar o volume de carros que possui, Costa explicou que, para diminuir esse prazo, a Kovi está fazendo pedidos similares às grandes locadoras, em média 5 mil veículos, e que teriam prioridade nas demandas das fabricantes de carros.

“A Kovi entra como se fosse um facilitador para contratação de ativo. A gente não pega carro de um terceiro. Alugamos os carros direto das montadoras. Oferecemos o veículo ao motorista e fazemos toda a manutenção da nossa frota, que é padronizada. Todos os carros são sedãs completos (aptos para 99 Pop, Cabify ou Uber Select, nas categorias mais habituais desses apps)”, completou.

Como funciona

Criada em novembro de 2018, a Kovi atua exclusivamente com motoristas de apps de corridas particulares (Uber, 99, Cabify e Lady Driver, por exemplo). Pelo site ou app, o motorista se cadastra, envia documentos e aguarda aprovação. Após aceite, ele escolhe um modelo de carro e a quilometragem máxima a ser percorrida em uma semana. Por fim, ele define o meio de pagamento (cartão de crédito, cartão 99 ou boleto bancário) e recebe a notificação com o local para buscar o carro.

Além de ser plataforma de aluguel, a empresa tem um app robusto que busca ajudar os motoristas a gerenciar seus ganhos nos apps: “Criamos a empresa para resolver dois problemas dos condutores: o acesso ao carro, uma vez que a maioria desses motoristas não têm acesso ao crédito; e o gerenciamento de suas finanças pelo app. Imagina, a 99 paga no dia para o motorista, a Uber na semana e o Cabify quinzenalmente. É como se o salário deles viesse todo picotado pelo mês”.

Operação

Com um modelo de negócios similar ao Pay As You Use das locadoras norte-americanas, a Kovi oferta aluguel de carros a partir de R$ 1.169 por semana. No pacote, o usuário paga R$ 800 de caução para alugar o carro na primeira  vez e opta por um dos dois planos semanais de quilometragem máxima: R$ 369 para rodar 1.250 km ou R$ 429 para 2 mil km.

Costa explicou que a ideia da cobrança semanal é justamente para facilitar o gerenciamento das finanças do motorista. De modo que ele não fique preso ao modelo de locadora habitual. Sobre a quilometragem, o empreendedor afirmou que uma fatia considerável dos condutores (40%) não gasta todo o seu plano.

Nota-se ainda que, em registro de usuários, 30% dos motoristas que se cadastram têm o pedido para alugar carros negado pela plataforma. A maioria deles é barrada por não ter habilitação para trabalhar como motorista particular (EAR) ou por exceder os pontos de infração na CNH, segundo Costa.

Negócios

A companhia já angariou US$ 40 milhões em duas rodadas de investimentos. O executivo da Kovi ressaltou que a operação da companhia é positiva e se sustenta sozinha. Inclusive, a empresa está em um momento de expansão do quadro de funcionários em São Paulo e Porto Alegre.

“Crescemos muito rápido para atender a demanda do mercado. Em janeiro do ano passado, tínhamos dez pessoas e hoje estamos com 200 pessoas. Estamos buscando uma sede nova para crescer. Temos muitas vagas abertas em tecnologia e operações”, disse. “Em um ano crescemos muito em atendimento, operações e tecnologia. A Kovi parece locadora, mas é uma empresa de tecnologia. Temos muita tecnologia proprietária que deu ganho e eficiência operacional”.

Futuro

Além da expansão territorial da companhia, o sócio-fundador da startup busca melhorar a plataforma no próximo ano. Seu principal objetivo é facilitar o uso da plataforma ao aprimorar a tecnologia do app: “Para esse ano, o foco é em melhoria na plataforma com relação à detecção de acidentes. Faremos isso via sistema, automaticamente. Vamos identificar quando um motorista sofre um acidente, se ele precisa de suporte ou guincho. Fora isso, vamos com força total para o mobile. Vamos centralizar tudo no app. E vamos começar a suportar mais métodos de pagamento”.

No longo prazo, a partir de 2021, a Kovi estuda ofertar serviços financeiros (crédito) e seguros aos motoristas, além de adotar novas categorias de condutores. Em seu radar, a companhia considera aluguel para motos e caminhões (VUC). Também não está descartada a possibilidade de alugar carros para o público comum.

Por sua vez, um modelo de negócios que Costa não considera no momento é o Pay As You Drive completo. Em sua visão, a cobrança exclusiva por hora ou km (nos EUA é por milha) não é benéfica ao profissional que trabalha com apps. Ele considera outro modelo no futuro:  “Vamos avançar para um modelo de dual-shift. O motorista vai para um pátio da Kovi na cidade, pega o carro, paga e devolve. Pagar por hora (milha) é demais para ele que precisa administrar os ganhos pingados”.