A Telesat vai iniciar o lançamento de uma constelação de 225 satélites de baixa órbita (LEO, na sigla em inglês) em meados de 2027 para atender o mercado corporativo, tendo o backhaul para rede celular uma das principais aplicações.
“A Starlink optou por vender diretamente aos consumidores. A Amazon também. Por sua vez, a Telesat sempre atuou no atacado. Provemos capacidade satelital para os nossos parceiros. Somos apaixonados em ser uma operadora de operadoras”, explica Glenn Katz, chief commercial officer (CMO) da Telesat, em entrevista para o Mobile Time, justificando a opção pelo segmento B2B para uso da sua futura nova constelação.
Telesat e migração para LEO
Com cada vez mais aplicações digitais rodando na nuvem, a latência de satélites geoestacionários se torna um problema. A solução é apostar em constelações de baixa órbita, argumenta o executivo.
A previsão de receita para LEO é animadora. “Uns cinco anos atrás, a receita mundial de satélites geoestacionários era de US$ 18 bilhões ao ano. Esse faturamento vem caindo desde então. A previsão de mercado potencial para LEO em 2030 está entre US$ 650 bilhões e US$ 1 trilhão”, afirma. Ele destaca que serviços para o consumidor final devem responder por metade desse mercado. A outra metade virá de segmentos corporativos, como mobile backhaul, aviação civil, energia, além de governo, o que inclui Defesa.
Para atender ao mercado corporativo, a Telesat vai oferecer contratos de nível de serviço (SLA), garantindo métricas como latência, velocidade, jitter, perda de pacotes e disponibilidade. O nome do serviço será “Telesat Lightspeed”, em alusão à velocidade da fibra óptica, só que no espaço.
Katz acredita que a tendência é seus clientes atuais migrem, mais cedo ou mais tarde, dos satélites geoestacionários para LEO.
“Nada acontece da noite para dia. Alguns clientes estão felizes com geoestacionários e têm contratos a cumprir. Mas no fim todos vão migrar para LEO”, conclui.


