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A Abinee criticou a redução em 10% do Imposto de Importação sobre bens de informática e telecomunicações, que afeta diretamente os valores de dispositivos como tablets, PCs e smartphones. Na visão da associação, a decisão do Ministério da Economia está na contramão dos movimentos de Estados Unidos e Europa, que promovem investimento em alta tecnologia para reduzir a dependência da economia chinesa.

A redução da importação em bens de informática e telecomunicações vale até o final do ano e se acumula com outros 10% que o governo do presidente Jair Bolsonaro e do ministro da Economia Paulo Guedes fez em novembro do ano passado; ou seja, um total de 20% de redução, que traz impacto direto à indústria nacional, como disse em nota o presidente da Abinee, Humberto Barbato: “Se em outros governos se escolhiam vencedores, no atual parece que se escolhem perdedores”, afirmou.

O representante da indústria eletroeletrônica ainda acusou o governo federal de tomar a decisão de “forma intempestiva”, aumentando “a insegurança jurídica” do setor e afetando a “reindustrialização do País”. E afirmou que nas conversas periódicas que a associação tem com Guedes o novo corte não estava em pauta. Além disso, reclamou que o governo prometeu – mas não cumpriu – que não faria novos cortes enquanto não reduzisse tarifas de outros segmentos que alcançam os insumos.

Em outras palavras, o novo corte mina não só a capacidade de renovação do parque industrial brasileiro, mas a capacidade das empresas que estão no Brasil de fazer frente aos produtos importados, uma vez que o corte foi no produto final e a indústria não teve redução equivalente em insumos para manufatura desses produtos.

Entenda

Anunciada pelo Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior do Ministério da Economia na última segunda-feira, 21, o corte da tarifa de importação faz parte de um pacote econômico para conter os avanços da inflação. Além da redução em bens de informática e telecomunicações, o ministério da Economia reduziu para 0% alíquotas de produtos e alimentos, como: café moído; margarina; queijo; macarrão; óleo de soja; etanol; e açúcar.

Segundo o Boletim Focus divulgado também na segunda-feira, o Índice de Produtos no Consumidor (IPCA, principal indicador da inflação no Brasil) subiu 0,90 ponto em um mês e a projeção da inflação no ano está em 6,59%. Se comparado à média histórica acompanhada pelo IBGE, a última vez que o IPCA ficou na casa de 6% foi na virada da URV para o plano Real em 1994, quando o Brasil saía de um IPCA/inflação galopante de 47% em junho para 6% em julho daquele ano.