|Mobile Time Latinoamérica| A Entel tornou-se a única operadora a oferecer o serviço Direct to Cell da Starlink na América Latina, nos mercados do Chile e do Peru, posicionando ambos os países entre os sete primeiros do mundo a implantar essa tecnologia.

Em entrevista ao Mobile Time Latinoamérica, Matías del Campo, vice-presidente do mercado B2C da Entel, explica o alcance da segunda fase do Direct to Cell, os desafios técnicos envolvidos em sua implementação, o impacto que terá em comunidades remotas e os próximos passos para habilitar serviços mais avançados de voz e dados via satélite.

Mobile Time – O que representa para a Entel tornar-se a única operadora a oferecer o serviço Direct to Cell da Starlink tanto no Chile quanto no Peru?

Ser a única operadora com o serviço Starlink Direct to Cell em ambos os países representa um marco que consolida a liderança tecnológica que a Entel vem construindo desde sua origem. No Chile, fomos os primeiros da América Latina a lançar mensagens SMS via satélite em novembro do ano passado e, depois, concluímos a Fase 2 com a habilitação de aplicativos em março deste ano.

Para a Entel, posicionar Chile e Peru entre os sete primeiros países do mundo com essa tecnologia, ao lado de Estados Unidos, Japão, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e Reino Unido, demonstra nossa capacidade como empresa de continuar aproximando a tecnologia das pessoas. No Peru, essa tecnologia ganha ainda mais relevância porque as áreas sem cobertura terrestre são muito mais extensas do que no Chile, de modo que estamos transformando a realidade de comunidades que nunca antes tiveram acesso à conectividade móvel.

Que tipo de aplicativos os usuários poderão utilizar nesta segunda fase e quais são as limitações atuais do serviço?

Na Fase 2, que já está habilitada no Chile e no Peru, os usuários podem utilizar o WhatsApp para mensagens de texto, voz, fotos e documentos; o Google Maps para navegação com rotas e tempos de deslocamento; o AccuWeather para previsões meteorológicas; e o X como rede social.

Esses aplicativos têm relevância para a vida cotidiana, o trabalho e o turismo em áreas remotas. Por exemplo, se uma pessoa estiver praticando turismo de aventura, trekking ou percorrendo vales em regiões que antes não tinham cobertura, agora poderá permanecer conectada, o que tem grande valor.

Para utilizar o serviço via satélite no celular, é preciso estar em uma área sem cobertura terrestre, ter visão aberta para o céu, possuir um dispositivo compatível e habilitar o roaming e o VoLTE. Em caso de chuvas ou ventos fortes, o sinal pode apresentar intermitências.

Quantas pessoas ou comunidades poderiam se beneficiar dessa tecnologia no Peru e no Chile?

O serviço está disponível em quase todo o território continental e insular do Chile, incluindo Rapa Nui, Juan Fernández e o mar territorial de 12 milhas. No caso do Peru, abrange todo o território peruano, incluindo as 200 milhas marítimas, com alcance de conectividade nacional até 50 km antes da fronteira terrestre, desde que haja visada direta. Isso significa que cobrimos áreas rurais, regiões montanhosas, rotas remotas e zonas insulares onde a cobertura tradicional pode apresentar dificuldades ou simplesmente não chegar.

No Peru, o impacto é ainda mais significativo devido à sua geografia particular, pois existe uma quantidade maior de áreas que antes não tinham conectividade. Nossa prioridade atual na Entel está focada em garantir o funcionamento ideal dessa tecnologia e fazer com que os usuários saibam que ela está disponível para uso.

Alguns casos de uso internacionais incluem, por exemplo, os incêndios florestais na Califórnia em janeiro de 2025. Durante a emergência, a T-Mobile ativou o serviço Direct-to-Cell da Starlink (com mensagens de texto) para apoiar os afetados e as equipes de resposta. Isso permitiu manter a comunicação em áreas onde o fogo destruiu a infraestrutura de telecomunicações e possibilitou que as equipes de emergência coordenassem evacuações e resgates em regiões remotas.

Quais são os principais desafios técnicos que vocês enfrentaram na implementação do Direct to Cell?

O principal desafio técnico enfrentado pela Entel foi justamente não contar com um caminho previamente definido. Diferentemente das evoluções do 3G, 4G ou de outras tecnologias com padrões globais já consolidados, o Direct to Cell nos colocou na posição de pioneiros em nível mundial, o que nos obrigou a desenvolver a tecnologia durante o processo e encontrar soluções para problemas inesperados à medida que surgiam.

Isso exigiu uma coordenação complexa com múltiplos atores. Não bastava o acordo com a Starlink para conectar a rede. Também foi necessário trabalhar com fabricantes de dispositivos para garantir a compatibilidade de hardware, com os sistemas operacionais dominantes (iOS e Android) para desenvolver as atualizações de software necessárias e com os principais aplicativos para que adaptassem suas plataformas a versões otimizadas para a rede via satélite. Caso contrário, o consumo de dados teria colapsado uma infraestrutura que não foi projetada para tráfego intenso.

Por fim, esse ecossistema de trabalho conjunto entre a equipe de rede da Entel, fornecedores de tecnologia e o próprio regulador, com o apoio da Subtel na adaptação da regulamentação, permitiu que, após aproximadamente dois anos e meio de desenvolvimento, Chile e Peru estivessem entre os primeiros países do mundo a lançar serviços de conectividade universal via satélite.

Quando esperam habilitar serviços de voz e dados mais avançados por meio de conexão direta via satélite?

Esses serviços exigem menor latência, ou seja, o tempo de resposta entre o satélite e o dispositivo precisa ser reduzido para que a experiência de voz seja satisfatória. Por isso, trata-se de uma implementação tecnicamente mais complexa — inclusive requer o lançamento de uma nova constelação de satélites de próxima geração. Assim, implementaremos essa tecnologia quando tivermos certeza de que tudo funcionará da melhor maneira possível para entregar o serviço de qualidade que caracteriza a Entel.

Qual é o roteiro para as próximas fases de desenvolvimento da tecnologia Direct to Cell?

O desenvolvimento da tecnologia D2C é um ecossistema em constante evolução. Neste ano, nosso foco está em consolidar a Fase 2 com os aplicativos já habilitados e incorporar novos apps a essa tecnologia.

No longo prazo, a Entel continuará trazendo sempre a melhor tecnologia para transformá-la em um grande serviço para as pessoas.

 

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As ilustrações das matérias são produzidas por Mobile Time com IA