No Brasil, 80% das seguradoras usam soluções de inteligência artificial em suas operações. É o que mostra uma pesquisa feita pela Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNSeg), em parceria com a consultoria Ernst Young (EY). O mercado deve chegar aos 100% em breve, já que o restante das empresas declarou estar no processo para a implementação da tecnologia.
Segundo o estudo, as áreas que mais utilizam IA são as de atendimento ao consumidor, operações e tecnologia. A implementação, no entanto, não impactou significativamente os negócios de 77% das respondentes, embora tenha proporcionado ganhos de eficiência ou redução de custos.
O levantamento, realizado entre outubro e janeiro, foi baseado em um questionário respondido por 26 empresas membros da associação, que representam quase 51% do mercado de seguros e somam receita anual de R$ 210 bilhões. Além disso, Banco Central e a Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) contribuíram para o estudo.
Para Alexandre Henriques Leal Neto, diretor técnico de estudos e de relações regulatórias da confederação, os resultados mostram que a IA não é bem uma novidade no setor de seguros. “As empresas estão há algum tempo empregando machine e deep learning em seus processos, embora exista um recente e maior interesse em inteligência artificial generativa”, opinou em evento online realizado nesta terça-feira, 24.
Motivações para uso e impactos
De acordo com a pesquisa, entre as diferentes razões para o uso da IA, todas as empresas respondentes afirmaram que a empregam em busca de produtividade. Outros motivos listados foram: melhoria na experiência do cliente (81%); automação de tarefas (69%); e redução de custos (65%).
Os investimentos na tecnologia ainda têm um retorno tímido, segundo Neto, com 84% das companhias relatando aumento de até 1% em sua receita. Por outro lado, foram observados a otimização do tempo entre 30% e 50% – inclusive de resposta ao cliente – e aumento no número de cotações, além de produtividade de TI e melhorias nas capacidades tecnológicas já existentes. Em 2025, graças à inteligência artificial, o setor de seguros reduziu suas despesas, gerando uma economia de R$ 140 milhões. Para este ano, a previsão é que o valor seja ainda maior, passando dos R$ 175 milhões.
Com a economia, o valor investido pelas seguradoras em IA deve subir de R$ 2,3 bilhões em 2025 para R$ 2,6 bilhões neste ano. Além disso, 58% das companhias pretendem investir até 1% da receita em IA, enquanto 21% destinarão entre 3% e 4%, 17% entre 1% e 2%, e 4% estimam investir entre 3% e 4% da receita.
Entre desafios, as expectativas
A principal barreira relatada para a implementação de inteligência artificial é a integração entre sistemas legados, de acordo com 69% das seguradoras. “A infraestrutura tecnológica de algumas empresas é antiga e dividida em vários sistemas – principalmente as que já passaram por algum tipo de fusão ou aquisição”, explicou o diretor da CNSeg. Também foram apontados: dificuldade em mostrar retornos do investimento (52%), falta de mão de obra especializada (46%) e custo elevado de implementação (38%).
Mesmo com algumas dificuldades, dentro dos próximos dois anos, 66% das seguradoras pretendem ter uma equipe dedicada à IA, e nos cinco anos subsequentes, 68% acreditam que terão alguma automação sem intervenção humana.
Ilustração produzida por Mobile Time com IA.


