O InCor e a parceira Arqia juntaram-se para desenvolver um dispositivo vestível capaz de fazer monitoramento remoto para prevenção de doenças cardiovasculares. A solução, capta sinais vitais de forma não invasiva, enviando os dados a cada 15 minutos para análise médica. A tecnologia de Internet das Coisas da empresa permite o funcionamento da solução de maneira contínua e com firewalls de segurança, mesmo em locais sem Wi-Fi. O projeto funciona como um verdadeiro laboratório de testes para a Arqia, permitindo que a empresa desenvolva uma “maneira de pensar” focada em anomalias e emergências que pode ser exportada para outros setores, incluindo o rastreamento de frotas de caminhões ou de tratores do agronegócio.
Para a a empresa de IoT, os desafios técnicos da iniciativa representam uma oportunidade para aprimorar seus serviços, repensar modelos de negócios e exportar inovações de rede para diferentes setores da economia, como o agronegócio e a logística.
Em conversa com Mobile Time, Daniel Fuchs, vice-presidente de Inovação da Arqia, conta que o papel da empresa no projeto é o de habilitadora tecnológica, garantindo que os dados capturados pela pulseira do InCor sejam empacotados, criptografados e transmitidos de forma segura. No entanto, as exigências críticas desse monitoramento ajudam a companhia do grupo Wireless Logic a encontrar eficiências que extrapolam a medicina.
“Você está pensando na emergência médica, mas a gente tem que parar aqui e falar: ‘Espera, será que não dá para usar isso em outro lugar? Será que tem outros casos de uso com outros sensores, mas que o comportamento é similar?’. Para a gente, todo piloto vira um laboratório de testes”, sintetiza.
Sobre a parceria entre InCor e Arqia

Pulseira desenvolvida pelo InCor com conectividade da Arqia. Crédito: divulgação
O Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da FMUSP (InCor) e a Arqia, do grupo Wireless Logic, desenvolveram uma parceria para avançar no uso de tecnologia para prevenção de doenças cardiovasculares com um projeto de monitoramento remoto que combina dispositivo vestível, inteligência artificial e conectividade IoT para detectar precocemente alterações cardíacas antes do surgimento de sintomas.
A solução se materializa por meio de um dispositivo vestível (pulseira) equipado com sensores ópticos capazes de realizar a captura contínua de sinais de fotopletismografia, tecnologia utilizada para avaliar a circulação sanguínea de forma não invasiva.
“Estamos falando de um modelo de acompanhamento que permite aos médicos enxergarem mudanças no estado do paciente no exato momento em que elas acontecem. A conectividade IoT torna esse fluxo contínuo e seguro, possibilitando decisões mais rápidas e potencialmente salvando vidas. É a prova de que tecnologia e saúde avançam ainda mais quando caminham juntas”, explica Fuchs.
O InCor é responsável pelo aspecto da medicina e dos algoritmos e desenvolveu o dispositivo vestível e a inteligência artificial para avaliar os sinais vitais do paciente de forma não invasiva.
E a Arqia atua como habilitadora tecnológica que fornece a conectividade de internet das coisas segura, utilizando rede celular e VPN exclusiva. Ou seja, ela empacota os dados captados pela pulseira, criptografa e transmite aos médicos em tempo real, sem a necessidade de uma rede Wi-Fi.
“Estamos falando de um modelo de acompanhamento que permite aos médicos enxergarem mudanças no estado do paciente no exato momento em que elas acontecem. A conectividade IoT torna esse fluxo contínuo e seguro, possibilitando decisões mais rápidas e potencialmente salvando vidas. É a prova de que tecnologia e saúde avançam ainda mais quando caminham juntas”, diz.
Para além dos testes
O executivo explica que os ajustes pensados para a pulseira, para, por exemplo, reduzir o consumo de bateria, sugerir ajustes no hardware são importantes não somente para este projeto, como também pensar em soluções e mudanças para outras verticais atendidas pela empresa – como a possibilidade de criar novos modelos de cobrança. Entre as ideias tidas, está a cobrança por pacote de dados transmitido em vez de uma mensalidade fixa por sensor. Trata-se de apenas uma ideia, no momento, mas a participação de projetos-piloto como esse com o InCor são geradores de um aprendizado importante para a empresa de IoT. De acordo com Fuchs, essas otimizações abrem caminho para que a empresa aplique soluções semelhantes no uso inteligente da conectividade em outras verticais, como o rastreamento de frotas de caminhões e tratores.
“A bateria da coleira de cachorro com rastreabilidade não dura um dia. Mas se as empresas quiserem vir falar com a gente, conseguiríamos fazer com que ela durasse sete dias”, assegura o executivo, explicando que a otimização das baterias é um caso importante para outros projetos além do feito no InCor.
“A tele, pelo conhecimento que tem da parte de sinalização, consegue mudar a forma como o dispositivo é utilizado. Eu acho que o brilhantismo do InCor está aí também, em contar com a parceria da tele e entender a importância disso”, complementa.
Segundo Fuchs, a lógica de funcionamento é muito semelhante: a detecção de um evento a partir da análise do comportamento agregado de vários sensores. Assim como a Arqia e o InCor lidam com o monitoramento de dados vitais para prever uma emergência médica, a operadora pode aplicar essa inteligência para o agronegócio e logística das seguintes formas:
- Identificação de anomalias por geolocalização celular: A Arqia consegue agregar os dados de uso de rede para identificar o perfil de um veículo (sabendo se é um carro ou um caminhão) e em qual célula de rede (antena) ele está conectado. Se os dados mostrarem que vários caminhões pararam repentinamente em uma mesma célula de rede, isso indica uma anomalia — como um acidente na via ou um grande evento — sem que a Arqia precise saber a rua exata ou de quem é o caminhão (já que o cliente direto da Arqia é a empresa de rastreamento);
- Transferência de casos de uso: Fuchs ressalta que o comportamento dos dados é o mesmo, mudando apenas os sensores. O aprendizado em transformar dados recebidos em “gatilhos” (triggers) para ações rápidas, essencial na cardiologia, serve para qualquer situação em que o tempo e a localização sejam críticos.
- Otimização de equipamentos e custos: Outros aprendizados do projeto com o InCor também se aplicam ao agronegócio. A Arqia tem buscado inteligência de rede para reduzir o consumo de bateria dos dispositivos de saúde e diminuir o tamanho dos pacotes de dados. No rastreamento de frotas e maquinários agrícolas, sensores que consomem menos bateria e transmitem de forma eficiente são altamente valiosos.
- Novos modelos de negócios: A empresa também estuda mudar a forma de cobrança. Em vez de uma mensalidade fixa, a Arqia cogita a cobrança por dados transmitidos ou pacotes de emergência. No agronegócio, onde um trator pode ficar muito tempo “dormindo” (ocioso) e transmitir dados apenas uma vez por dia, um modelo que cobre por uso pontual ou pacotes de alerta pode ser muito mais vantajoso.
No fim do dia, a Arqia pega a complexidade técnica e a análise comportamental exigidas para salvar vidas e adapta essas eficiências tecnológicas para monitorar, alertar e otimizar operações no campo.

