Na última semana, a Meta lançou silenciosamente o seu aplicativo de vibe coding para games. Batizado como Pocket (Android), o serviço não teve o mesmo destaque em divulgação que o Threads ou Meta AI, mas seu papel pode ser até mais importante para a democratização e distribuição da IA pela Meta.
Nesta prova que fiz desde o lançamento, podemos dividir o Pocket em:
- O primeiro acesso;
- As primeiras experimentações;
- As primeiras criações.
No primeiro acesso no dia do lançamento, 2 de junho, eu tive um choque. Não entendia que diabos era aquilo. É um app de vibe coding, mas tem feed igual ao Instagram e tem trilhas sonoras dos Reels. Como usa? Como cria? Como saber a dinâmica de cada criação (os gizmos)? Não tem um guia de como usar, simplesmente use.
Nas primeiras experimentações, passei a perceber que há diversas formas de criação. Não é uma forma única. Em um momento é um mundo aberto em 3D. Em outro é uma versão do usuário sobre River Raid ou Enduro. E cada gizmo tem uma dinâmica diferente no uso e controlabilidade (para quem não lembra ou não sabe esse termo vem lá das antigas revistas de games). Pode ser simplesmente navegar pelo celular, deslizar o dedo na tela, fazer pinch in e pinch out ou colocar botões simples.
Com isso, entram as primeiras criações que fiz. Não tem mágica. Se você está acostumado com prompts do ChatGPT, Claude, Meta AI, Copilot e outras plataformas de inteligência artificial generativa, o Pocket funciona do mesmo modo. A pessoa escreve o que quer, coloca imagens de referência e pode até escolher uma música. Por exemplo, eu fiz um jogo de corrida estilo ‘Enduro’ e coloquei trilha sonora do ‘Gran Turismo’ do Playstation. O app te mostra um primeiro mockup do gizmo. Mas assim como acontece no Instagram, o usuário pode editar a sua criação, do tamanho dos botões, renderização até o grau de dificuldade da IA.
Primeiras impressões do Pocket

Tela do do Pocket app da Meta no Google Play (divulgação)
Lado extremamente positivo, o app está em português e qualquer pessoa pode usar. Lado negativo, eu sinto que precisam criar mais barreiras de segurança – outro gizmo que fiz foi um *game de luta de plataforma com personagens que não são convencionais e não fui barrado ou avisado dos perigos daquela criação.
Mas é uma excelente iniciativa e está no começo. Pode ajudar muitas pessoas que estão com receio ou ainda não experimentaram as plataformas de IA, a começarem a navegar com joguinhos e brincadeiras digitais. Quem sabe é aquela sementinha que pode ajudar esses novos entrantes a usarem a IA para criar programas, campanhas para pequenos negócios, mensagens em massa.
Mas o Pocket precisa de ajustes. Como a velocidade de criação não é tão rápida como uma resposta do GPT, demora algo entre 1 minuto e 30 segundos a 2 minutos para criar o primeiro esboço.
E suas criações ainda são bem cruas, mas com potencial.
Não tem nada muito elaborado no Pocket. Não espere um jogo triple A, pois a tecnologia ainda tem limites. Mas permite ao usuário brincar com sua imaginação. Estamos com um Atari 2000 mais elaborado no app de vibe coding. Não é um Xbox, PC Gamer, Playstation, Nintendo, mas é melhor que um Pong.
Isso me lembra muito aqueles jogos que recebíamos em kits multimídia e demonstrações de revista do meio para o final da década de 1990. Me lembro de um truco argentino com uma tradução péssima para o português que se o usuário clicasse fora das cartas, uma voz de uma argentina falando portunhol berrava “ei, o que você está fazendo?!”. Depois disso começaram a aparecer os primeiros jogos bons que ganham remake até hoje, como ‘Full Throttle, ‘The Day of Tentacles’ e ‘Grand Prix’.
Nota do editor: Um dia depois da publicação, a Meta tirou o meu jogo proibidão do ar. O motivo foi ‘possuir conteúdos que violam’ as regras da plataforma. Portanto, os guardrails funcionam, mas demoram.


