Mais de 75% dos consumidores afirmam que promoções ou descontos foram motivadores para que eles baixassem seu último aplicativo de compras, enquanto 35% atribuem o gatilho ao frete grátis, seguido pela urgência da aquisição (13%) e compra recorrente (12%). Os números são de uma pesquisa feita pela Kobe, empresa de mobile commerce, que identifica uma contradição no universo do m-commerce.
Se há motivações para ter o app em mãos, há fatores que afastam essas pessoas das ferramentas, com 59% dos respondentes afirmando que desistiram de usá-las porque apresentavam uma interface confusa ou por terem fricções no primeiro acesso. A leitura é que mesmo atraindo os downloads, as companhias falham na tentativa de transformar o uso das aplicações em algo recorrente.
Os dados são baseados em jornadas de 8,9 milhões de usuários, que responderam perguntas sobre as razões pelas quais baixaram, mantiveram e como se comportaram dentro de aplicativos. Todos residem em capitais ou regiões metropolitanas do Brasil, além de possuírem o ensino superior como escolaridade mínima.
Remoção do app pode indicar sucesso
O estudo revelou que a desinstalação dos aplicativos é algo comum. Quase metade dos entrevistados afirmaram que removem as ferramentas algumas vezes e 24% disseram que isso é uma ação frequente. Em muitos desses casos, o processo acontece no mesmo dia do primeiro acesso.
A Kobe explica que, no entanto, isso não é algo negativo em todos os casos, sobretudo para compras cujo valor médio é mais alto. “Ela pode indicar o encerramento natural de um ciclo de compra bem-sucedido. O app entregou o que o consumidor precisava, ajudou na decisão e consolidou a preferência pela marca naquele momento”, ressalta a empresa.
Métricas e pushes não são universais
O levantamento também aponta que a mensuração de sucesso varia de acordo com o setor, não podendo ser baseada somente na taxa de conversão. Um exemplo disso são os supermercados e as farmácias, que exigem compras recorrentes. Segundo a pesquisa, a concretização das compras varia entre 4% e 6%, percentuais considerados altos.
Já quando se trata de moda e eletrônicos, o usuário tende a ficar mais tempo pesquisando e avaliando a sua compra. No navegador mobile, por exemplo, ele varia entre 30 e 50 segundos, no desktop a oscilação é de 90 a 150 segundos, enquanto nos aplicativos, a média é de 180 e 330 segundos, com uma retenção de 20%. No entanto, a conversão é de somente 2%.
A concretização do processo de compra costuma ser bem maior em aplicativos cuja base de usuários ativos é inferior a 200 mil, cuja taxa é de 20%. Segundo a Kobe, o êxito pode ser atribuído a uma relação de confiança que os consumidores têm com a companhia, normalmente nas lojas físicas e no site. A prova disso é que o abandono do app nas primeiras 24 horas de uso cai significativamente.
A pesquisa também constatou que 77% dos consumidores se irritam com o excesso de notificações irrelevantes ou genéricas, o que motiva metade deles a bloquearem os alertas, sobretudo os jovens entre 18 e 24 anos, cujo índice salta para quase 70%. Por outro lado, quando são referentes à jornada da compra, 72% dizem que gostam de receber os avisos.


