O Conselho da União Europeia (UE) sinalizou nesta sexta-feira, 9, que vai aprovar o Acordo Comercial e o Acordo Comercial Provisório com o Mercosul, o que trará benefícios de livre comércio em categorias como agronegócio, telecomunicações, serviços digitais e financeiros.

Esta área de livre comércio está sendo costurada há 26 anos pelos líderes dos dois blocos e precisou de dois documentos, pois o original (comercial) iria caducar e um provisório foi necessário ser ativado em setembro de 2025 para ratificar a relação entre as partes envolvidas.

Pelo Brasil, o Ministério das Relações Exteriores e o Ministério do Desenvolvimento Indústria, Comércio e Serviços reforçam que o acordo integra 720 milhões de pessoas e possui um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 22 trilhões: “Trata-se do maior acordo comercial negociado pelo Mercosul e um dos maiores dentre aqueles pactuados pela UE com parceiros comerciais”, diz a nota conjunta do Itamaraty com o MDIC.

Na relação comercial atual, a UE envia para o Mercosul mais máquinas, aparelhos, produtos químicos, fármacos e equipamentos de transporte. Por sua vez o Mercosul exporta para a Europa produtos agrícolas, minerais, pasta de papel e papel.

Mesmo com garantias impostas pelos líderes europeus aos agricultores em dezembro de 2025, o acordo tem sofrido críticas por parte dos produtores agrícolas do velho continente que têm receio de perder poder de mercado e negociação, em especial na França. Inclusive, os profissionais desse setor foram às ruas protestar com tratores e despejo de litros de leite nas ruas da Europa após seus parlamentares selarem a parceria com o bloco sul-americano.

UE

Apesar dos receios do setor agrícola europeu, a Comissão da União Europeia apontou que o comércio com o Mercosul chegou a 111 bilhões de euros em 2024, sendo 55,2 bilhões de euros em exportações e 56 bilhões de euros em importações. A relação entre Brasil e UE representou 80% deste fluxo. Em outra categoria, serviços, a UE exportou 29 bilhões de euros em 2023 e o Mercosul 13,4 bilhões de euros. Também afirmam que a UE é o maior bloco investidor no Mercosul, com injeção de 390 bilhões de euros apenas em 2023.

“Após mais de 25 anos, as decisões de hoje representam um passo histórico no fortalecimento da parceria estratégica da UE com o Mercosul. Em um momento de crescente incerteza global, é essencial reforçarmos a nossa cooperação política, aprofundamos os nossos laços econômicos e o nosso compromisso comum com o desenvolvimento sustentável”, disse ao Conselho da UE o ministro de Energia Comércio e Indústria do Chipre, Michael Damianos.

“Estes acordos criarão oportunidades para as empresas de ambas as partes, garantindo ao mesmo tempo salvaguardas robustas para os nossos setores mais sensíveis e um quadro justo e sustentável para o comércio”, completou.

Próximos passos

A cerimônia de assinatura deve ocorrer dia 17 de abril, no Paraguai. Antes, o acordo deve ser ratificado no Parlamento Europeu e no Parlamento brasileiro.

Vale lembrar, o Mercosul foi criado em 1991 e atualmente é formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, além de Venezuela (suspensa desde 2017) e da Bolívia, que aguarda aval para entrar no bloco.

A União Europeia nasceu oficialmente em 1993 e tem no momento 27 países membros em seu bloco: Alemanha; Áustria; Bélgica; Bulgária; Croácia; Chipre; Tchéquia; Dinamarca; Estônia; Finlândia; França; Grécia; Hungria; Irlanda; Itália; Letônia; Lituânia; Luxemburgo; Malta; Países Baixos; Polônia; Portugal; Romênia; Eslováquia; Eslovênia; Espanha; Suécia.

Imagem principal: Ilustração produzida por Mobile Time com IA

 

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