A AIOTI, uma startup de telemetria mobile corporativa voltada para a redução de acidentes no trânsito, obteve uma segunda rodada de investimento de R$ 580 mil a fundo perdido com Embrapii, Sebrae e capital humano e material da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
De acordo com o CEO e fundador, Cileneu Nunes, a primeira fase do projeto, que entregou um produto mínimo viável (MVP) e contou com três pós-doutores e 15 bolsistas, durou de outubro de 2024 a agosto de 2025. Para o período houve investimento de R$ 700 mil, sendo R$ 177,4 mil da própria AIOTI – 20% do total – e o restante dividido entre Sebrae e Embrapii.
A aprovação do projeto e liberação do capital ocorreu em menos de dois meses.
Esse MVP é o SafePilot (Android, iOS), um aplicativo que roda em segundo plano e usa os sensores do handset do motorista (acelerômetro, bússola, girômetro e GPS) para medir a qualidade de sua direção. No sistema desenvolvido, cada viagem começa com 100 pontos e caso o sistema capte eventos de risco, o condutor perde pontos. São considerados eventos de risco:
- Arrancada;
- Freada brusca;
- Curva fechada;
- Excesso de velocidade;
- Uso do celular ao dirigir.
O app usa a conectividade do smartphone, mas também funciona offline. Os dados são armazenados na nuvem, incluem os limites de velocidade e, ao final da viagem, o app gera um arquivo pequeno de 2 MB e o motorista recebe a sua pontuação. E o gestor pode acompanhar os condutores por meio de um painel, que apresenta informações de educação no trânsito, gamifica e faz um ranqueamento dos motoristas por meio de suas pontuações.

Cileneu Nunes, fundador e CEO da AIOTI (divulgação)
Uso prático do SafePilot da AIOTI
Um caso de gamificação já ocorre com o primeiro cliente da startup, o SEST Senat. No programa ‘Motoristas Série A’, iniciado em dezembro de 2025, a instituição usa os dados do SafePilot para medir e ranquear os 20 melhores motoristas entre 800 participantes, além de outros requisitos do SEST. O melhor colocado ganha um carro zero quilômetro, o segundo uma motocicleta zero km de 300 cilindradas e o terceiro uma moto zero de 200 cilindradas.
Esse público conta ainda com um chatbot para esclarecer dúvidas. Por meio do WhatsApp, o robô de conversação entende áudio, imagem e texto. No mês de dezembro, 228 motoristas acessaram o bot, sendo que 160 deles foram transferidos para o atendimento humano.
Nunes reforçou que o principal atrativo de sua plataforma é que não necessita de um equipamento plugado no veículo e que basta que o motorista tenha um smartphone.
O modelo de negócio da startup é de software como serviço, cobrando R$ 25 por motorista cadastrado ao mês. O público-alvo da empresa são frotistas profissionais, empresas com equipes de campo de utilities e veículos de locadora.
Nova fase do SafePilot e a telemetria inteligente
Agora, a nova fase do projeto durará sete meses e terá investimento de R$ 580,7 mil com R$ 166 mil da AIOTI – 30% do total – e novamente conta com o apoio financeiro de Sebrae e Embrapii e intelectual da UFRN. No capital humano, a UFRN disponibilizará os três professores da primeira fase, 12 bolsistas (entre remanescentes e novos), além da equipe da AIOTI em São Paulo e mais quatro ex-bolsistas em Natal.
Nesta nova etapa, a AIOTI quer desenvolver e ampliar as funcionalidades do SafePilot, além de estruturar um datalake para entregar a predição de acidentes (a possibilidade de chances de acidentes) e um detector automático de prevenção de acidentes.
Assim como ocorreu na primeira fase, os professores são adicionados como coautores, mas a propriedade intelectual desenvolvida é da AIOTI.
Imagem principal: Tela do SafePilot no app e painel de gestor (reprodução)

