O uso de dados com inteligência artificial permitiu que a NFL (Android, iOS) criasse regras para deixar o jogo mais seguro, como a nova regra de chute inicial que elimina a corrida de longa distância dos jogadores. A ideia era tornar a partida mais segura para os jogadores sem prejudicar a experiência. “No ano passado e, em parte desse ano, nós ficamos discutindo a nova regra de chute inicial e o que estamos fazendo. Ou seja, como deixamos uma jogada tão explosiva se tornar segura, mas continuando dinâmica?”, questionou Troy Vincent Senior, vice-presidente executivo de operações de futebol americano da NFL, nesta quinta-feira, 5, em comemoração aos dez anos da plataforma Next Gen Stats (NGS).
“Isso foi feito com dados e ciência. Foi com isso que nós recriamos uma jogada dinâmica, mas segura. Foi ao olhar os diferentes pontos de dados que temos”, completou.
A liga de futebol americano NFL contabilizou 1.157 jogadas baseadas em sua nova regra de chute inicial (kickoff). A informação foi capturada a partir do uso de dados e inteligência artificial usados nesta temporada, que termina no próximo domingo, 8.
Durante coletiva online para imprensa especializada pré-Super Bowl, Vincent Senior explicou que a tecnologia aplicada com equipamentos da Zebra e serviços de IA na nuvem da AWS permite que os dados captados no campo (localização, velocidade, movimento, por exemplo) interpretem e validem o que está sendo mostrado em vídeo, como um arremessador (quarterback, no original em inglês) conseguindo concluir mais passes que resultam em touchdowns ou um corredor (running back, no original inglês) que consegue mais terreno no jogo (que é medido por jardas).
Além das 1,1 mil jogadas reintroduzidas na plataforma, a Next Gen captou 50 mil jardas (cerca de 45,72 quilômetros) percorridas pelos atletas da liga no kickoff. Essa captura de dados é feita por meio de sensores RFID da Zebra em ombreiras dos jogadores e na bola oval e os dados são processados por algoritmos de IA na AWS.
De acordo com Tyler Austin, vice-presidente de vendas de automação inteligente da Zebra, os chips nas ombreiras enviam 110 sinais por segundo para a nuvem. Vale dizer que cada partida tem, em média, 46 jogadores em cada time. Todos utilizam o equipamento de segurança para absorver impactos nas jogadas.
Já Josh Helmrich, diretor sênior de estratégia de mídia, desenvolvimento de negócios e Next Gen Stats da NFL, explicou que a plataforma de IA capturou mais dados em sua primeira partida do que em todo o histórico da liga. Explicou que a sua concepção original era acompanhar a saúde dos jogadores, mas evoluiu para beneficiar o ecossistema do esporte.

Sensor RFID da Zebra em ombreira de jogo da NFL (divulgação)
Tecnologia na NFL
Criada na década anterior, a NextGen traz estatísticas cruciais para o futebol americano que terá a sua final da temporada 2025/2026 no próximo domingo, entre New England Patriots e Seattle Seahawks. Essas informações são mostradas para os torcedores no telão do estádio, treinadores e jogadores em tablets Surface da Microsoft no campo, jogos de videogame e telespectadores da ESPN.
Entre parceiros, o caso apresentado na coletiva foi com a Adrenaline, uma startup que desenvolveu a TruPlay AI, uma tecnologia que integra estatísticas da Next Gen para fazer predições dinâmicas de jogadas em tempo real. Os dados são exibidos durante os jogos de forma interativa pela ESPN, em uma forma de educar os fãs.
“Nós fazemos previsões sobre corrida, passe, receber alvo, probabilidade de uma jogada mais dura (blitz). Ou seja, nós mostramos em nossa tecnologia tudo aquilo que jogadores e o treinadores usam para planejar o jogo”, explicou Sean Lee, ex-jogador estrela do Dallas Cowboys e diretor de dados da startup. “Queremos que a nossa IA seja como o cérebro de Peyton Manning [ex-jogador e lenda do esporte da bola oval]. Portanto, todos os pontos de dados que os jogadores usam em tempo real são inseridos em nossa IA”, concluiu.
Helmrich, da NFL, explicou ainda que por ter dados históricos de dez anos, a Next Gen pode fazer uma análise retroativa e comparar dados de jogadores atuais com profissionais que já se aposentaram. Também afirmou que os times usam a tecnologia não apenas nos jogos, mas também nos treinos para fazer carga de trabalhos específicos, gerenciar desgastes e minimizar lesões dos jogadores.
Varejo e pagamento rápido
Além da Next Gen, o VP da Zebra afirmou que a final do Super Bowl também utilizará as capacidades tecnológicas do Levi’s Stadium, o palco da partida em São Francisco, Califórnia.
Exemplificou com o uso do RFID para checkout rápido na venda de merchandising de futebol em loja na arena esportiva. Em parceria com Fanatics e Exo, o sistema permite que o torcedor coloque os produtos da compra em uma cesta que identifica a compra e cobra os produtos no final da transação.
Isso permitiu reduzir um checkout de 3 minutos para 30 segundos, algo crucial para os fãs do esporte fazerem a compra e voltarem com rapidez para acompanhar a partida.
Imagem principal, da dir. para esq.: Sean Lee, ex-jogador estrela do Dallas Cowboys e diretor de dados na Adrenaline; Josh Helmrich, diretor sênior de estratégia de mídia, desenvolvimento de negócios e Next Gen Stats da NFL; Cynthia Frelund, especialista em análises, NFL Network; Troy Vincent, Sr., vice-presidente executivo de operações de futebol americano da NFL; Tyler Austin, vice-presidente de vendas de automação inteligente na Zebra Technologies (reprodução: Linkedin/Zebra)

