A startup brasileira de inteligência artificial WideLabs está a pleno vapor. A criadora do Amazônia IA, LLM construído em português e com dados da cultura nacional, atingiu o break-even no quarto trimestre de 2025, cresceu sua receita em 10 vezes no ano passado e agora busca um sócio estratégico em uma rodada de investimento série A. O objetivo é se expandir pela América Latina. Para tanto, entendeu que precisava mudar o seu modelo de negócios: deixou de ser uma mera vendedora de modelos de IA para se tornar uma fábrica de IA.

“Modelos de IA estão virando quase que uma commodity. A WideLabs não é mais uma desenvolvedora de modelos apenas, mas uma fábrica de IA full stack. Pegamos uma demanda, entregamos a solução e garantimos sua manutenção”, explica Nelson Leoni, cofundador e CEO da WideLabs, em conversa com Mobile Time.

O modelo de negócios anterior, de venda de acesso aos modelos de IA através de APIs, ficou para trás. Hoje, as APIs servem mais para demonstrações e provas de conceito (PoCs), mas a maior parte da receita provém de projetos em que a WideLabs planeja a solução fim a fim, incluindo a infraestrutura e a orquestração de modelos. A startup conta com parceiros como Oracle, NVIDIA, AWS e Positivo.

WideLabs se especializa no setor público

A empresa se especializou principalmente em projetos de IA do setor público, em razão da sua capacidade de planejar soluções que priorizem a segurança e a soberania dos dados.

Hoje tem 10 clientes relevantes do setor público, incluindo Dataprev e o Ministério Público Estadual do Rio Grande do Sul. No exterior, realiza projetos para órgãos públicos de El Salvador e do Chile.

O tarifaço de Trump sobre o Brasil no meio do ano passado e o acirramento das disputas político-comerciais no mundo também levam o setor privado a buscar soluções de IA e data center com players nacionais. Por isso, além do setor público, a WideLabs iniciou conversas com grandes empresas privadas, revela Leoni.

Modelos para a América Latina

Widelabs

Nelson Leoni, CEO da Widelabs (Crédito: Galeria Marcos Mesquita)

O ecossistema do Amazônia IA é composto de 24 diferentes modelos de IA, incluindo speech-to-text (STT), identificação de imagens, desdobramento de documentos, dentre outros.

A WideLabs tem sido convidada a replicar a proposta do Amazônia IA em outros países da América Latina, mas usando os dados de cada nação. O primeiro exemplo foi o chileno PatagonIA, criado em parceria com o Instituto de Sistemas Complexos de Engenharia (ISCI), do Chile.

“Hoje somos a empresa que mais lidera projetos estratégicos e soberanos de IA na América Latina. Queremos estar na região inteira”, afirma o executivo.

A empresa está em conversas com entidades de outros seis países da América Latina, mas não necessariamente para a construção de novos modelos, ressalta.

“Acreditamos na identidade de cada país. Não vamos chegar como colonizadores. Precisamos firmar parcerias com gente local”, diz o CEO da WideLabs.

Nemotron Personas Brazil: 6 milhões de brasileiros sintéticos

A WideLabs liderou recentemente a construção de um banco de dados aberto com 6 milhões de brasileiros sintéticos, para fins de treinamento de modelos de IA e aprimoramento de assistentes virtuais. O projeto, batizado como Nemotron Personas Brazil, conta com a parceria da NVIDIA e já foi feito em outros países, como EUA, Índia e Cingapura.

A amostra é um extrato da população brasileira, respeitando as proporções por sexo, idade, renda familiar mensal, nível educacional, distribuição regional, profissão etc. É possível segmentar a amostra por cidade, por profissão ou qualquer outro parâmetro presente.

O banco de dados é disponibilizado gratuitamente para desenvolvedores, hospedado no HuggingFace.

A ilustração no alto foi produzida por Mobile Time com IA

 

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As ilustrações das matérias são produzidas por Mobile Time com IA