A startup InovaCubo está desenvolvendo uma vestimenta conectada para monitorar a saúde de idosos, sendo que sua patente foi depositada nesta terça-feira, 24. Feito por meio de uma parceria formal e apoio da Unidade Embrapii Centro de Energias Alternativas e Renováveis da Universidade Federal da Paraíba (CEAR/UFPB), o equipamento tem como intuito ser de baixo custo para ajudar no acompanhamento de pacientes em clínicas, hospitais e casas de repouso.

Em resposta por e-mail a esta publicação, Edvaldo Cardoso, cofundador da startup, explicou que a tecnologia é uma roupa inteligente com sensores integrados ao tecido que podem monitorar parâmetros fisiológicos, como:

  • Batimentos cardíacos;
  • Pressão arterial;
  • Oximetria;
  • Temperatura corporal;
  • Detecção de movimento e quedas;
  • Níveis de umidade (para saber se a fralda está com dejetos, por exemplo).

Segundo Gomes, o projeto está com sete meses de desenvolvimento. A vestimenta está atualmente na versão 1 e consiste em uma espécie de macacão com uma caixinha na cintura do paciente com fios que se conectam aos sensores do corpo. As informações são encaminhadas por meio de um pequeno computador (um gateway) que será a central do cuidador; neste dispositivo haverá uma tela ligada à tomada e ao Wi-Fi para o profissional ler os dados e até monitorar mais de uma pessoa.

Bateria

A equipe do CEAR foi escolhida para colaborar com o aumento da autonomia de bateria, devido ao seu conhecimento em projetos de energia: “O ponto principal é que esse é um projeto de desenvolvimento de gestão de energia. O objetivo do uso é em saúde, mas o desafio é em energia”, afirmou Flávio da Silva Vitorino Gomes, professor na unidade da Embrapii.

“A InovaCubo nos procurou pela expertise em gerenciamento de energia, porque o grande desafio deles é a autonomia de bateria. Fazer o gerenciamento de consumo para maximizar o uso”, completou o coordenador do projeto, que contou com 11 pessoas (dois professores, quatro mestrandos, três graduandos e os dois sócios da startup).

No desenho feito pelo CEAR para reduzir consumo de energia e aumentar a autonomia da bateria, a unidade computacional do vestível fica em estado dormente e só acorda para fazer as aferições. Colabora também o fato que o vestível não é auto administrável como um smartwatch, mas acompanhado por cuidador no gateway.

Com isso, Gomes explicou que a autonomia da bateria saiu de cinco horas quando a startup trouxe o projeto para uma duração de um dia completo (24h).

Próximas etapas da vestimenta

Até meados de 2026 o time deverá entregar uma prova de conceito mais avançada, com maturidade em nível 6 (TRL6, protótipo testado em ambiente relevante). A vestimenta estará prestes a ser validada em uma casa de repouso em João Pessoa, algo que aguarda apenas a aprovação. A ideia é que a tecnologia no TRL6 tenha suas placas e sensores reduzidos, ao ponto que poderá ser usado em uma peça de roupa mais simples, como uma bermuda ou camiseta.

Para o futuro, o sócio da startup afirmou que os dados serão transmitidos via Bluetooth para um aplicativo móvel e, posteriormente, sincronizados com a nuvem, permitindo a visualização e o acompanhamento longitudinal por cuidadores e profissionais de saúde. Os valores serão definidos com base nos custos de produção, posicionamento de mercado e valor adequado.

Tanto o CEAR como a InovaCubo querem fazer uma nova rodada de desenvolvimento científico, mas dependerá do resultado nesta fase atual. Como eventual evolução para a vestimenta, Cardoso cita:

  • Aprimoramento contínuo dos sensores;
  • Aumento da autonomia energética;
  • Maior integração com plataformas e sistemas de saúde;
  • Expansão das métricas monitoradas;
  • Possíveis adaptações para novos segmentos, como fitness, cuidados domiciliares e monitoramento corporativo.

O público-alvo inicial da vestimenta são os idosos e profissionais de saúde, mas o empreendedor reconhece que a solução pode escalar e ser usada também por atletas que buscam acompanhar “desempenho e condição física”. E o seu modelo de negócio mira a comercialização por meio de venda direta ao consumidor final (B2C) e por parcerias com clínicas, hospitais e instituições de saúde (B2B ou B2B2C).

Imagem principal: Ilustração produzida por Mobile Time com IA.

 

*********************************

Receba gratuitamente a newsletter do Mobile Time e fique bem informado sobre tecnologia móvel e negócios. Cadastre-se aqui!

Siga o canal do Mobile Time no WhatsApp!

As ilustrações das matérias são produzidas por Mobile Time com IA