A israelense BioCatch, empresa de detecção de fraudes via biometria comportamental, encerrou o quarto trimestre de 2025 com resultados históricos. A companhia adicionou US$ 20 milhões em nova receita recorrente (ARR) no período, elevando seu ARR total para mais de US$ 185 milhões.

O crescimento foi impulsionado pela conquista de 90 novos clientes globais — incluindo Wells Fargo — consolidando sua presença em três dos quatro maiores bancos dos EUA. Quase metade da nova receita anual veio de instituições que estão adotando inteligência comportamental pela primeira vez. O salto financeiro ocorre em um momento em que a empresa afirma ter evitado cerca de US$ 4 bilhões em fraudes ao longo do ano passado.

Outro ponto importante foi o incremento do segmento mid-market, outro ponto responsável pelo crescimento da empresa, com alta de 60% em ARR em 2025. Através da plataforma Alkami, fornecedora de soluções para o segmento financeiro, mais de 70 bancos comunitários e cooperativas de crédito adotaram a tecnologia da BioCatch. Esse alcance foi potencializado por parcerias com Alloy, Tyfone e Nasdaq Verafin, consolidando a adesão da solução em diversos perfis de instituições financeiras.

A Biocatch analisa cerca de 17 bilhões de sessões digitais por mês, um total de mais de 660 milhões de clientes bancários em mais de 1,6 bilhão de dispositivos no mundo. São analisadas 3 mil variáveis por sessão, coletadas a cada cinco segundos.

A empresa detecta fraudes usando inteligência comportamental, tecnologia que usa a biometria, mas também os aspectos do comportamento humano no mundo financeiro.

Os números de proteção e financeiros da empresa crescem porque os crimes também aumentam cada vez mais e as instituições financeiras se preocupam com possíveis invasões. Mas há também um outro ponto favorável para o incremento da BioCatch: o avanço de regulamentações. No Reino Unido, por exemplo, atualmente, 50% da responsabilização de um golpe é atribuída ao banco de origem e os outros 50% ao banco de destino. “Hoje, no Brasil não temos isso, mas estamos caminhando para”, acredita Diego Baldin, diretor da BioCatch no Brasil, em conversa com Mobile Time.

E, com a regulação mais rigorosa, os bancos e as instituições financeiras acabam adquirindo soluções tecnológicas que buscam mitigar golpes e fraudes.

BioCatch: os desafios no Brasil

BioCatch

Diego Baldin, diretor da BioCatch no Brasil. Crédito: divulgação

“Vimos nos últimos dez anos uma evolução muito grande nas fraudes no Brasil. Atualmente, somos um dos principais exportadores de fraudes para América Latina e Europa com ataques do tipo malware. O fraudador brasileiro é excepcional”, afirma Baldin. “Estamos investindo muito em tecnologias para aumentar a quantidade de detecção de golpes como de roubo de conta corporativa”, continua.

“Três anos atrás, começamos a ter um aumento exponencial dos golpes, uma variante das fraudes. O fraudador busca a credencial do usuário. Só que roubar a credencial está cada vez mais difícil e, então, partiram para um modelo de engenharia social. O criminoso aborda a vítima fazendo se passar pelo banco ou uma empresa e vai extrair ou pedir uma transferência”, conta. “E ano a ano temos visto esse crescimento exponencial, em especial de golpes ligados a falsos investimentos, falsa central de atendimento, ou então roubo de e-mails corporativos”, explica. Neste caso, o fraudador consegue um e-mail da corporação e, aos poucos, escala a comunicação e consegue acessos mais qualificados, gerando um dano maior. “Estamos olhando para esses golpes e as contas laranja. Sem uma conta laranja não há fraude ou golpe. Isso que alimenta esse mercado”, complementa.

Novas ameaças: IA agêntica

Para além dos deepfakes, a nova fronteira de risco reside nas IAs agênticas. A BioCatch adverte que esses agentes autônomos podem ser configurados para automatizar ofensivas e operar esquemas de fraude massivos, elevando o patamar das ameaças digitais.

A técnica permite que um navegador execute comandos dados pela pessoa. E, no caso, o fraudador pode pedir para que o agente de IA busque credenciais abertas de um banco, abra o portal, teste senhas e, depois de aberto, realize ações e transações. “Ou seja, você começa a ter um nível de automação gigantesco. Estamos estudando e sabemos que é uma técnica bem desafiadora. A evolução é absurda e a cada ano que passa, a gente evolui dez anos”.

Soluções para mitigar golpes e fraudes

A Biocatch utiliza modelos de machine learning responsáveis por identificar comportamentos suspeitos. Um deles, o Scan360, olha para todos os panoramas de golpes.

Entre os exemplos que Baldin dá está um golpe durante uma transferência. Quando o usuário faz transferência de um valor baixo, isso acontece de uma maneira. Mas, quando esse valor é alto, a pessoa presta mais atenção, fica mais tensa e a forma de operar o dispositivo móvel muda. A pessoa vai olhar com mais cuidado, a forma de tocar o dispositivo será diferente e vai demorar mais tempo. “Com os dados biométricos que a gente coleta, conseguimos saber quando a pessoa está distraída, ou seja, ela toca na tela sem uma orientação exata. Conseguimos também identificar se está sendo guiada por meio de uma ligação. Analisamos o perfil ao longo do tempo da pessoa e a cada sessão nova, comparamos os dados e percebemos as diferenças na utilização do dispositivo móvel – onde temos a maior captura dos dados e onde estão os usuários. Com os dados coletados com machine learning treinada, ganhamos eficiência”, completa.

O próximo passo evolutivo de proteção bancária será a integração de bancos em todo o mundo que possuam a solução BioCatch Trust, uma ferramenta de colaboração entre as instituições. A ideia é montar uma rede de inteligência a partir de transações entre bancos clientes da empresa. Assim, se o cliente do banco X faz uma transação para um cliente do banco Y, mas o banco Y não tem dados do outro cliente, se o banco X tiver a solução da BioCatch a falta de dados não será um problema. “Com isso, consigo ter insumos de prevenção à fraude e, com dados técnicos, coloco um score de risco para aquela operação. Posso dizer se envolve uma possível conta laranja, se um dos usuários é uma possível vítima de um golpe. Consigo uma redução de perda financeira para todo o mercado e uma melhora para a sociedade como um todo”, resume o executivo.

Presença no Brasil e expansão

No Brasil, estão em cinco bancos, mas conversam com vários outros. Na Austrália, a tecnologia de biometria comportamental da BioCatch está presente em cerca de 70% do mercado financeiro. Na Argentina, estão em 40% dos bancos, mas começam a fase de implementação e, em breve, deverão alcançar 70% do mercado. No Chile, a BioCath está presente em praticamente 100% das instituições financeiras e, nos Estados Unidos, as maiores instituições são parceiras da empresa: não só usam a sua tecnologia, mas são suas investidoras.

Para 2026, a projeção é acelerar a expansão global. “Queremos conquistar outros países. O objetivo é levar a nossa tecnologia e nossos modelos de detecção para ajudar os bancos como um todo”, resume.

 

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