A utilização de dados bem curados é vital para as empresas de saúde alimentarem a Rede Nacional de Saúde Digital (RNDS) e por consequência o consumidor acessar o seu histórico dentro do Meu SUS Digital (AndroidiOS), como explicou Flávio Exterkoetter, CEO da Blendus.

Em conversa recente com Mobile Time, o executivo contou que os dados enviados pelas empresas ao sistema público são feitos no padrão Troca de Informação de Saúde Suplementar (TISS). Ou seja, cada atendimento feito em hospital e clínica é repassado para o plano de saúde. Esse protocolo deve ser repassado para Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Depois, os dados saem da ANS para a RNDS e para o app do SUS.

De forma genérica, o executivo afirmou que muitas companhias de saúde ainda não prestam a devida atenção no preenchimento de dados, pois preenchem com foco nos ganhos e não sabem que seus dados vão para o SUS Digital.

“As companhias trabalham para atender a parte regulatória, mas muitas vezes nem todas conseguem ir além”, disse. “Nem toda operadora (leia-se plano de saúde) está atenta a essa questão do compartilhamento com a RNDS. Mas vai se tornar mais um ponto de conferência. Os próprios beneficiários vão começar a alertar ao plano de saúde que o dado está faltando”, disse.

Se o fluxo de dados é feito de forma correta, o paciente consegue ver os seus dados no app do Meu SUS Digital. Exterkoetter explicou que isso será mais claro em empresas que fizeram projetos de LGPD bem estruturado, que estão trabalhando com governança de dados e estruturando melhor os seus processos para garantir a qualidade de dados.

Em janeiro deste ano, a secretária de informações e saúde digital do Ministério da Saúde (Sedigi-MS), Ana Estela Haddad, informou que 2 bilhões de dados foram enviados das empresas de saúde particular reguladas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para a Rede Nacional de Saúde Digital (RNDS) do SUS.

Atualmente, a saúde suplementar no Brasil tem 53 milhões de consumidores.

Estruturação de dados em saúde

Criada em 2018, a Blendus ajuda os planos de saúde a estruturar os dados TISS. Por meio de oferta em SaaS e nuvem, os algoritmos da startup avaliam a qualidade dos dados de saúde das companhias e simulam o Índice de Desempenho de Saúde Suplementar (IDSS), uma nota vai de 0 a 1, sendo que a partir de 0,8 é considerada alta.

Isso foi criado após o executivo notar uma lacuna no mercado e fortes quedas nas notas das empresas, uma vez que o IDSS a partir de 2018 passou a avaliar deficiências na rede, problemas nos dados e induzir os planos de saúde a adotarem um modelo atenção à saúde mais integral com foco em prevenção e promoção da saúde de seus beneficiários. Com uma nota baixa recorrente, a ANS pode aplicar multas aos convênios.

Para evitar isso, o sistema da Blendus atua como um filtro e cruza dados da operadora de saúde com bases oficiais (DataSUS, por exemplo) para mostrar inconsistência nos dados e pontos de correção antes do envio de dados para o regulador.

Esse ciclo é mensal e a startup ainda tem reuniões trimestrais de alinhamento com seus clientes. É o caso da Saúde Petrobrás, a operadora de saúde interna da estatal que estava com notas abaixo de 0,5 em 2020 e passou para 0,8 entre 2022 e 2024, a partir do uso da Blendus em 2022. Notas similares também foram obtidas por Unimed Natal e Postal Saúde.

IA na saúde? Hoje não

Apesar de usar algoritmos, Exterkoetter explicou que o seu sistema é hard coded (tradicional) e não tem uso de inteligência artificial. Ou seja, a Blendus foge do hype de incorporar a IA em seus produtos e serviços.

O CEO da startup explicou que isso acontece basicamente por três motivos:

  1. A necessidade de ter respostas determinísticas baseadas em dados estruturados e regras explícitas das guias TISS que precisam de apontamentos precisos e exatos, sem riscos de alucinações;
  2. O alto custo operacional que o sistema teria se rodasse o grande volume de dados dos planos de saúde em grandes modelos de linguagem (LLM);
  3. A necessidade em seguir de forma estrita o tratamento de dados sensíveis de pacientes, com base na LGPD e com o opt-in dos consumidores.

Internamente, a Blendus usa IA, como robôs para automação de processos internos, como apresentações para clientes e projetos isolados de pesquisa e desenvolvimento.

Imagem principal: Ilustração produzida por Mobile Time com IA.

 

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