O Itaú teve uma redução de 65% em seus gastos com inteligência artificial generativa desde o começo de sua jornada nesta tecnologia em 2022. A informação foi compartilhada por Carlos Eduardo Mazzei, diretor de tecnologia do banco, durante o lançamento do copiloto financeiro para clientes e funcionários do banco, a ia.i.
Parte desse processo acontece com a gestão inteligente de tokens, uso da IA em escala com governança controlada por uma plataforma única centralizada e eficiência operacional.
Questionado sobre o consumo de tokens e de modelos, Mazzei explicou que o banco traz parte do aprendizado de FinOps da nuvem para a era da IA. O Itaú montou para usar e escalar a IA baseada na otimização de custos. Isso considera “usar o melhor modelo e a melhor plataforma” para uma tarefa.
“Não adianta ter um modelo em outras línguas. Não adianta ter um modelo gigantesco que é PhD em matemática para fazer validação de uma coisa super pequena que é fácil de fazer. Tem muito a ver aqui com teus benchmarks e as avaliações que a gente chama para verificar a acurácia e qual que é o modelo mais economicamente viável para responder àquela solução. Para fazer isso é preciso ter uma plataforma que seja capaz de orquestrar diferentes modelos”, afirmou.
Com mais de 80 modelos de prateleira em uso, como GPT 5.6, Sonnet 5 e Qwen 32B, GLM 5.1 e KimK, a estratégia do Itaú também considera usar os modelos mais recentes que vão barateando com o custo da tecnologia.
A visão de Mazzei e do Itaú não é diferente da de outros bancos, como recentemente abordado no especial do Mobile Time sobre o consumo de IA nas novas aplicações conversacionais e bancárias da última semana.
IA no Itaú, a estrutura

Carlos Eduardo Mazzei, diretor de tecnologia do Itaú (crédito: Henrique Medeiros/ Mobile Time)
Em conversa com a imprensa especializada, o especialista ainda detalhou os resultados dos primeiros casos do Itaú com IA. Também explicou que a fundação do uso de inteligência artificial no banco para ser “AI-First” e “AI Driven” começou uma década antes, com a instituição sendo influenciada pelo internet banking, mobile banking e jornadas open source, que mudaram a forma do Itaú se relacionar com o seu cliente.
Mas para a IA funcionar na íntegra, o processo contou com democratização de dados com qualidade e garantia de governança. Isso depende exclusivamente de garantir que as fontes dos dados sejam fidedignas e que os dados sejam vistos como um produto dentro do banco. Com isso, o Itaú tem atualmente:
- 1,5 mil curadores de dados;
- 95% dos dados possuem atribuições nomeadas (donos dos dados);
- 70% das tabelas internas têm monitoramento contínuo de qualidade;
- 70% dos metadados do banco são gerados por IA.
Isso é o que dá a robustez e permite aos agentes do banco funcionarem bem e não derivarem de suas funções principais.
Contudo, Mazzei reforçou que “não é apenas sobre ter o dado curado, mas ter uma camada de contexto” para guiar a IA. Em outras palavras, uma plataforma integrada que permita que a IA avance com escala, governança e consistência.
Resultados do Itaú com IA

Carlos Eduardo Mazzei, diretor de tecnologia do Itaú (crédito: Henrique Medeiros/ Mobile Time)
Isso permitiu ao banco usar a IA dentro casa para tarefas como:
- Análise de 30 mil documentos imobiliários para clientes do atacado por ano com redução de 75% no tempo de análise;
- Transcrição de 43 milhões de documentos e 300 mil ligações pelo jurídico, a partir da automatização de processos e interpretação de documentos;
- Análise inteligente para concessão de crédito.
Pelo lado do consumidor, o banco tem um rol de soluções diretas com IA:
- Pix no WhatsApp;
- Atendimento ao cliente;
- Itaú Emps;
- Crédito AI-First;
- Especialista de investimentos;
- Máquina de cartão Laranjinha+.
Dessas soluções, o banco destaca aumento de 30% de acurácia no assessment de crédito de risco, margem financeira líquida de R$ 1 bilhão no primeiro ano de concessão de crédito com apoio da IA. No Itaú Emps, o destaque é que 54% dos consumidores têm mais de 50% do fluxo financeiro passando pela jornada digital do banco – leia-se, a principalidade deste cliente PJ.
“A IA surge quase como um novo sistema operacional que temos enquanto banco, ao ter a capacidade de entender e responder de uma maneira muito mais efetiva, rápida e melhor para os nossos clientes”, completou o diretor.

