A pesquisa TIC Educação 2025 revelou que 86% das escolas no Brasil promoveram debates ou reuniões internamente para falar sobre o uso de tecnologias. O número é 18 pontos percentuais superior ao registrado em 2024, de 68%. Naquele ano, 60% das instituições afirmaram que o tema foi abordado em encontros com responsáveis. Em 2025, o percentual subiu para 75%. O mais debatido entre a comunidade escolar foi o uso de celulares nas dependências escolares (83%), seguido pelo impacto de tecnologias na saúde mental dos alunos (80%), além de das consequências do uso desses mecanismos na prática pedagógica dos professores (78%).

Outros assuntos, como uso seguro e responsável – inclusive em atividades educacionais –, saúde mental dos alunos, utilização de tecnologias digitais e educação midiática, também começaram a ganhar mais espaço nas rodas de conversa das escolas. Entre iniciativas de suporte psicológico, 82% possuem plano de convivência escolar dentro do projeto político-pedagógico; 81% oferecem canal de escuta para professores, alunos, funcionários e pais; e 79% possuem acompanhamento individual dos alunos que precisam de maior atenção.

A pesquisa revelou que mais de 50% das instituições proíbem alunos de levarem smartphones, com maior rigidez nos primeiros anos do ensino fundamental (69%). Já 40% aceitam que o estudante leve o aparelho, mas que fique guardado, e 66% permitem o uso pedagógico em atividades coordenadas, que são mais frequentes em escolas onde o aparelho supre a falta de computadores. 

Em contrapartida, segundo Daniela Costa, gestora responsável pelo levantamento, em espaços de recreação, a disponibilidade de conexão aberta caiu, sendo substituída por atividades “offline”, como clubes de leitura (62%); equipes esportivas (55%); dança, teatro e música (48%), clubes de ciências ou matemática (34%), entre outros.

Iniciativas para educar

Mais da metade das escolas (65%) realizam atividades de educação digital e midiática, além de cidadania na internet, em 58% dos casos, a iniciativa é aplicada em disciplinas específicas, embora a maioria também destaque que ela é incluída em matérias já previstas na grade curricular. No entanto, muitas enfrentam dificuldades para atrair as famílias para essas atividades ou sofrem com a falta de recursos e materiais didáticos, como má qualidade de computadores e acesso à internet, sobretudo nas regiões rurais, onde o estudo identificou que 46% das instituições têm apenas um computador.

O uso de inteligência artificial nas salas de aula é permitido em apenas 37% das escolas, a maior parte (52%) apenas no ensino médio. A pesquisa incluiu pela primeira vez a utilização da tecnologia na gestão escolar. Ao menos 53% dos respondentes afirmaram que a IA é usada em atividades administrativas, de comunicação – como resumos, traduções ou transcrições – ou de análise.

Um outro ponto relatado pelos gestores é que muitos professores têm dificuldade para implementar as diretrizes teóricas, como a BNCC Computação, nos seus planos de aula. Para Costa, parte do problema é reflexo da queda no fornecimento de programas de capacitação a esses profissionais desde o fim da pandemia.

Entre incentivos e pontos de reflexão

Renata Miele, coordenadora do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), acredita que os avanços registrados na pesquisa são fruto do ECA Digital e a restrição de uso de celulares nas dependências das instituições, algo que fortaleceu o diálogo sobre uso saudável de IA entre professores e familiares.

Para Alexandre Barbosa, gerente do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) e do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), “os resultados indicam que o uso dessas tecnologias está avançando mais rápido do que a construção de diretrizes institucionais”. Ele considera que a educação digital equitativa depende de uma infraestrutura adequada, de recursos de apoio e de alinhamento com as famílias.

Os dados foram coletados entre os meses de agosto do ano passado e abril de 2026, via telefone, com gestores de escolas públicas e privadas de ensino fundamental e médio. No total, mais de 2,4 mil pessoas participaram do levantamento. A divulgação foi feita em coletiva de imprensa, realizada online, nesta terça-feira, 4.

 

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