A Abrint e a DSA (Dynamic Spectrum Alliance) propõem que a faixa de 6 GHz destinada a licenças de serviço móvel possa ser utilizada de forma oportunística por equipamentos Wi-Fi enquanto não estiver ocupada pelas operadoras celulares. Seria algo como o uso dos “white spaces”, mas antecipado, ou seja, começando antes da utilização oficial à qual a faixa será destinada.

A ideia será apresentada pelas duas associações na consulta pública aberta pela Anatel sobre o uso da faixa de 6 GHz, informaram Cristiane Sanches, conselheira da Abrint, Martha Suarez, presidente da DSA, em conversa com Mobile Time durante a Futurecom 2026, nesta semana.

Para que isso funcione, será preciso haver algum tipo de coordenação no uso da faixa, de maneira que os equipamentos Wi-Fi sejam desligados quando houver sinal das operadoras móveis.

A destinação de 6 GHz

A Anatel decidiu destinar 500 MHz da faixa para o uso não licenciado com Wi-Fi (5.925 MHz a 6.425 MHz) e os 700 MHz seguintes para telefonia celular (de 6.425 MHz a 7.125 MHz).

Há três consultas públicas (CPs) em andamento sobre a faixa de 6 GHz. A CP 37 trata da proposta de leilão de licenças para o serviço móvel, divididas em três blocos – dois de 200 MHz e um de 100 MHz. A CP 41 propõe as especificações para certificação de equipamentos Wi-Fi que vão operar em 6 GHz. E a CP 42 trata da gestão do sistema de AFC, para a coordenação automática no uso outdoor do Wi-Fi de maneira a não causar interferência em outros serviços sem fio, como enlaces de rádio.

O prazo para envio de contribuições à CP 37 vai até 23 de outubro e para as outras duas CPs, 3 de dezembro. Além disso, haverá audiências públicas em Brasília e em São Paulo para debater a CP 37 nos dias 16 e 21 de outubro, respectivamente.

 

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As ilustrações das matérias são produzidas por Mobile Time com IA