A Internet das Coisas (IoT) chegou aos pneus. A startup brasileira Ecotruck desenvolveu uma solução para acompanhar a pressão, a temperatura e a localização de pneus, com foco especialmente em veículos de transporte de carga. Sua utilização consegue aumentar em 30% a vida útil dos pneus. A tecnologia já está sendo usada para monitorar cerca de 20 mil pneus e a expectativa é de chegar a 100 mil até o fim do ano que vem.
“O pneu é o segundo maior custo para uma transportadora. Só perde para o diesel. O pior custo é aquele que você não consegue controlar”, diz José Luis Volpini, fundador e CEO da Ecotruck, em conversa com o Mobile Time.
O Brasil consome 14 milhões de pneus por ano. O modelo mais comum usado por caminhões e ônibus é o 295/80, que costuma aguentar entre 60 mil Km a 120 mil Km em sua “primeira vida”. Depois o pneu passa por um processo de recapagem e ganha uma “segunda vida”, cerca de 20% menor que a primeira. Mas se sua calibragem não tiver sido acompanhada devidamente na primeira vida, ele pode sofrer um desgaste que impede a recapagem. Isso sem falar no risco de acidente por conta de pneu vazio ou até de incêndio – daí a importância de se medir a temperatura.
“O Brasil reúne condições de alto desgaste para pneus: alta temperatura, longas jornadas e estradas em más condições. São variáveis de difícil controle para o gestor”, comenta Volpini.
Agro, ônibus intramunicipal e cargas perigosas
O primeiro segmento a se interessar pelos pneus conectados da Ecotruck foi o agronegócio. A startup nasceu em Bebedouro/SP, cidade que é um pólo de produção de cana de açúcar. A solução foi idealizada e testada inicialmente com o transporte de cana para as usinas.

José Luis Volpini, CEO da Ecotruck (crédito: divulgação)
“A receptividade no agro foi grande. Começamos testando o produto em usinas com frotas próprias. Elas costumam ficar a 40 Km de distância da colheita. Os caminhões vão e voltam diversas vezes ao longo do dia. O consumo de pneu é fora do comum porque as condições de carga e de solo são piores que no asfalto. O caminhão de cana não tem nem amortecedor porque não aguenta. Quem sofre o impacto é o pneu”, relata o executivo.
No agro, produtores de eucalipto também se interessaram pela solução. No caso deles, as distâncias percorridas são maiores, às vezes mais de 400 Km, boa parte sem cobertura de telefonia celular. Para esse caso de uso, a Ecotruck desenvolveu uma tela no painel do motorista para alertá-lo se houver algum problema com pneus durante a viagem.
Outro segmento que vem puxando a demanda é o de ônibus intramunicipais. “Eles são consumidores vorazes de pneus porque os ônibus param e freiam o tempo todo e fazem muitas curvas. A receptividade tem sido muito boa entre grandes empresas de ônibus de São Paulo”, conta Volpini.
Por questões de segurança, transportadoras de cargas perigosas, como produtos químicos, corrosivos e combustíveis, também estão implementando a solução.
Ecotruck: como funciona a solução?
Cada pneu recebe uma tag que contém basicamente três componentes dentro dela: um sensor de temperatura e pressão; um processador, que é também um emissor de sinal Bluetooth Low Energy (BLE) e uma bateria que dura mais tempo que a vida útil do pneu.

Tag da Ecotruck (crédito: divulgação)
A cada minuto, a tag envia por BLE os dados dos sensores de temperatura e pressão. Esses dados são captados por um receiver instalado no caminhão, geralmente com a antena virada para baixo, para melhorar a comunicação com os pneus.
O receiver é dotado de conectividade 4G com chip multioperadora, atualmente fornecido pela Algar, e também antena WiFi. Enquanto está em uma área sem sinal, armazena os dados para envio quando estiver conectado. O receiver também tem GPS, para captar a localização do veículo.
Os dados dos pneus são exibidos em um painel online para o gestor. Este pode configurar alarmes para temperatura e pressão dos pneus. É possível enxergar cada pneu individualmente e ter um controle total do inventário, incluindo os pneus que se encontram em estoque ou na recapadora. A solução informa ainda a quilometragem de cada pneu, avisando a hora certa para rodízio e recapagem.
Além disso, é possível criar cercas virtuais, definindo por onde os veículos podem transitar e até mesmo em que postos de combustível podem abastecer. Mas Volpini explica que a intenção não é a de concorrer com empresas tradicionais de rastreamento de frotas, que possuem soluções mais sofisticadas de segurança contra roubo de veículos. “O foco do nosso negócio está na gestão do ativo”, resume.
A Ecotruck cobra uma mensalidade por cada tag monitorada e por cada receiver ativo.

Painel da Ecotruck
Ecotruck no Movecomm
Volpini vai participar do painel “Conectividade embarcada: quando IoT ganha rodas”, que faz parte da programação do 2º Movecomm, evento organizado por Mobile Time e Teletime que acontecerá no dia 5 de novembro, no Senai Vila Mariana, em São Paulo.
Estão confirmados nesse painel:
Cristiano Tito, diretor de vendas Brasil e América Latina, Globalstar
José Luis Volpini, CEO, Ecotruck
Oswaldo Conti-Bosso, fundador da BWS IoT?Tomas Fuchs, CEO, Arqia
A agenda atualizada e mais informações estão disponíveis em www.movecomm.com.br



