A popularização dos medicamentos de combate à diabetes e redução de peso baseados nos hormônios da célula L (GLP-1), em especial as canetas emagrecedoras como Mounjaro, estão colaborando para a transformação digital na indústria da saúde. De acordo com Diego Killian Neves, diretor de canais digitais e marketplace da RD Saúde, os medicamentos estão mudando o comportamento dos consumidores e, com isso, o setor.

A avaliação é baseada a partir da experiência de entrega de unidades do Mounjaro (tirzepatida), o medicamento GLP-1 da Eli Lilly, que é enviado pelos compradores da RD Saúde (Drogasil e Droga Raia) via serviço Uber Direct, da Uber.

Durante a Conferência Saúde & Farma ECBR nesta quarta-feira, 4, Neves disse que a caneta Mounjaro está alterando o comportamento dos seus clientes no meio físico e digital. A partir do sucesso do medicamento, os consumidores retornam às lojas e consomem outros produtos que não faziam parte de sua cesta, em virtude do emagrecimento.

Segundo levantamento apresentado pela empresa de análise de mercado Iqvia, o mercado do GLP-1 no Brasil saltou 83% em receita de vendas entre 2024 e 2025, de R$ 6 bilhões para R$ 11,5 bilhões, algo próximo de 5% do total do faturamento de R$ 234 bilhões no último ano. Por sua vez, a fatia de vendas por meios digitais representa 11% do mercado, com R$ 27 bilhões, um crescimento de 56,5% contra R$ 18 bilhões de 2024.

Entrega de Mounjaro: segurança é mais importante que velocidade

Com este cenário e com canetas avaliadas em até R$ 3 mil, o head comercial da Uber Direct, Caio Mieza, afirmou que o desafio não é entregar o produto ao cliente com rapidez: “Somos parceiros de longa data do mercado farmacêutico. Antes, o desafio era entregar rápido. Entre 20 e 30 minutos, aproximadamente. Com a transformação digital e o GLP-1, a rapidez não faz tanta diferença. Precisamos criar controles e novas camadas de segurança. Temos que identificar motoristas com capacidade de fazer a entrega, criar camadas de segurança e fazer o rastreamento até a casa do consumidor”, disse.

Mieza reforçou que a tecnologia da Uber permite ter o controle da cadeia e acompanhar em tempo real as entregas, assim como repassar esses dados a seus clientes: “O nosso papel hoje é munir os nossos parceiros para a jornada ser cada vez melhor e com menos fricções, com economia de conveniência, mais segurança. Principalmente para aqueles que estão passando por transformação digital”, completou.

Por outro lado, o head da Uber reforçou que o ecossistema de entrega demanda corresponsabilidade da companhia, do distribuidor do produto e dos entregadores. Pelo lado da empresa de mobilidade urbana, o executivo explicou que precisa dar remuneração adequada e em alguns casos um “incentivo financeiro” adicional, uma vez que o entregador está levando um item de alto valor. E, do lado das farmácias, Mieza afirmou que a comunicação precisa ser assertiva e rápida para a coleta do pacote, pois o entregador não tem muito tempo hábil e precisa agir rápido para ter mais entregas e obter mais ganhos.

Nesta relação da cadeia de entrega, Neves, da RD Saúde, afirmou que a estratégia também é um diferencial em suas unidades, como o fato  de que os medicamentos GLP-1 precisam ser refrigerados, da retirada do centro de distribuição até a entrega ao consumidor final.

 

Da esq. Caio Mieza, head sale na Uber Direct; Felipe Berigo, diretor da unidade de negócios cardiometabolismo Lilly Brasil; Diego Killian Neves, diretor de canais digitais e marketplace RD Saúde (crédito: Henrique Medeiros/Mobile Time)

 

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